Abdollah Nekounam Ghadirli, embaixador do Irã no Brasil • CNN Brasil

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira (2) que o governo iraniano recebeu a manifestação oficial do Brasil condenando os ataques dos Estados Unidos contra o território iraniano. Segundo ele, a posição brasileira demonstra respeito aos princípios de soberania e integridade territorial.

“Recebemos a declaração do governo brasileiro sobre os ataques contra o Irã e agradecemos a condenação do ato de agressão dos EUA pelo governo do Brasil. Vemos essa ação como valorosa, pois dá atenção aos valores humanos, à soberania e à independência dos governos.”

A declaração ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Segundo ele, o acordo nuclear firmado anteriormente foi interrompido após decisão dos EUA em 2018, e as recentes tratativas em Viena teriam sido novamente afetadas por ações militares. O representante iraniano afirmou que Teerã nunca deixou de defender o direito ao uso pacífico da energia nuclear e que possui resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica que atestariam a regularidade de suas atividades.

O embaixador também declarou que o Irã responderá “de forma clara e firme” a novos ataques e negou qualquer sinal de desorganização institucional após a morte do líder supremo em meio ao conflito. Segundo ele, a Constituição iraniana prevê um conselho provisório para garantir a transição e a continuidade da administração do Estado.

Sobre possíveis impactos econômicos, inclusive na relação comercial com o Brasil, o diplomata disse que ainda é cedo para uma avaliação detalhada, mas afirmou que as relações tendem a seguir “de forma natural” ao longo do tempo. Ele acrescentou que, até o momento, não há informação oficial sobre brasileiros entre as vítimas do conflito.

Abdollah Nekounam classificou o cenário como parte de uma “geopolítica complexa”, criticou o que chamou de unilateralismo dos Estados Unidos e afirmou que o Irã está preparado para “as piores situações possíveis”, sustentando que as ações do país se enquadram no direito legítimo de defesa.

Com informações de CNN Brasil.

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