
A primeira-dama do Iraque, Shanaz Ibrahim Ahmed, divulgou nesta quinta-feira (5) uma carta aberta contundente, incitando todos os lados envolvidos na guerra com o Irã a “deixarem os curdos em paz”.
A carta surge em meio a relatos de que a CIA está incentivando combatentes curdos iranianos no Iraque a desafiarem o Irã. A pressão também ocorre após um ataque do Irã contra o que a mídia iraniana chamou de “grupos terroristas separatistas” no Curdistão iraquiano na quarta-feira (4).
A carta de Ahmed relata como os EUA incitaram os curdos iraquianos a “se levantarem contra o regime de Saddam Hussein” em 1991, apenas para que os curdos “fossem abandonados quando as prioridades mudaram”.
A primeira-dama iraquiana, que também é curda, observa que os EUA encerraram sua aliança com as forças curdas na Síria em janeiro, após vários anos de estreita coordenação, permitindo que o governo sírio tomasse vastas áreas de território controlado pelos curdos.
“Com muita frequência, os curdos só são lembrados quando sua força ou sacrifício são necessários”, concluiu Ahmed. “Por essa razão, apelo a todos os lados envolvidos neste conflito. Deixem os curdos em paz. Não somos mercenários.”
A carta de Ahmed é apenas a mais recente declaração de líderes curdos no Iraque se distanciando do suposto plano da CIA de enviar curdos iranianos para o Iraque.
Na manhã desta quinta-feira (5), o Governo Regional do Curdistão afirmou que “não faz parte de nenhuma campanha para expandir a guerra e as tensões na região”, classificando como “completamente infundadas” as notícias sobre o envolvimento do Iraque no plano da CIA de apoiar uma invasão.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, abordou a tensão em uma publicação no Facebook, dizendo que apreciava “o povo corajoso e honrado do Curdistão que se manteve ao lado da causa do Irã nestes dias históricos”.
Pezeshkian acrescentou que, embora se solidarizasse com as famílias dos feridos ou mortos nos ataques aéreos, “o governador e as forças armadas que mantêm a segurança têm a obrigação de lidar com firmeza com qualquer movimento separatista”.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.
O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.
Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”.
Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. As agressões entre as partes seguem neste domingo.
Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”
Com informações de CNN Brasil.







