Presidente do banco central da Alemanha, Joachim Nagel • REUTERS/Rogan Ward

O Banco Central Europeu agirá de forma rápida e decisiva se o combustível mais caro devido à guerra no Oriente Médio se transformar em uma inflação mais alta e duradoura na zona do euro, declarou o membro do BCE Joachim Nagel à Reuters.

Investidores consideraram a ideia de que os bancos centrais poderiam ser forçados a voltar a apertar a política monetária, precificando brevemente dois aumentos de juros pelo BCE, antes de reduzir essas apostas depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu o conflito como “bastante completo”.

Nagel, que dirige o banco central da Alemanha, disse que as palavras de Trump ofereceram “motivos para esperança”, mas o salto nos preços da energia piorou as perspectivas econômicas e elevou os riscos de inflação.

“Devemos ser muito vigilantes”, apontou Nagel em comentários enviados por e-mail. “Se ficar evidente que os atuais aumentos nos preços da energia se traduzirão em uma ampla inflação dos preços ao consumidor no médio prazo, o Conselho do BCE agirá de forma decisiva e de forma oportuna”.

O BCE deve manter as taxas na reunião da próxima semana e traçar cenários para o crescimento e a inflação caso o conflito se prolongue. Os mercados monetários agora atribuem um pouco mais de 50% de chance de um aumento no final do ano para a taxa de política de 2%.

Nagel disse que apoia “uma abordagem de esperar para ver”, mas que a turbulência recente provavelmente encerrou o debate sobre a inflação ficar abaixo da meta de 2% do BCE.

“É provável que as discussões sobre o não cumprimento de nossa meta de inflação tenham terminado por enquanto”, sinalizou Nagel. “Neste momento, no entanto, ainda é muito cedo para avaliar de forma confiável as consequências de médio e longo prazo, dada a situação volátil”, apontou.

O BCE demorou a reagir a um pico de inflação impulsionado pela energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que inicialmente havia sido considerada transitória.

Desde então, a inflação na zona do euro caiu e está oscilando em torno de 2% há mais de um ano.

Com informações de CNN Brasil.

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