Eduardo Braga ao lado de Vanda Witoto, em encontro que simboliza o fortalecimento do diálogo e das pautas dos povos originários no cenário nacional.

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (5), o projeto que cria a primeira Universidade Indígena do Brasil, marco histórico para a educação e para os povos originários. A proposta, relatada pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), estabelece a criação da Universidade Federal Indígena (Unind), com modelo inovador e foco na valorização cultural.

Relator da matéria, Braga destacou que a iniciativa representa uma reparação histórica e um avanço estratégico ao garantir acesso ao ensino superior com respeito às identidades, culturas e tradições indígenas. O parlamentar enfatizou ainda a relevância do projeto para o Amazonas, estado com a maior população indígena do país.

“O meu Estado tem a maior diversidade de povos indígenas do Brasil. Uma universidade com esse perfil fará uma grande diferença para o fortalecimento dessas culturas”, afirmou.

Um dos principais diferenciais da Unind será seu modelo multicêntrico. Embora a sede administrativa esteja prevista para Brasília, a universidade contará com campi distribuídos em diferentes regiões do país, permitindo que o ensino respeite as especificidades culturais e geográficas de cada povo.

A proposta também rompe com o modelo tradicional de ensino, ao estabelecer uma formação intercultural que integra saberes ancestrais e conhecimento científico. A ideia é preparar novas gerações para atuar na preservação cultural, na gestão territorial e na defesa dos direitos dos povos indígenas.

Outro ponto central do projeto é a garantia de autonomia às comunidades. O texto prevê que os cargos de reitor e vice-reitor sejam ocupados exclusivamente por docentes indígenas, além da possibilidade de processos seletivos próprios, adaptados às realidades linguísticas e culturais de cada etnia.

Com a aprovação no Senado, o projeto segue agora para sanção da Presidência da República. A expectativa é que a nova instituição se torne referência nacional na promoção de uma educação inclusiva, diversa e alinhada às demandas dos povos originários.

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