
Um tribunal da Coreia do Sul condenou nesta quinta-feira (11) o ex-presidente Yoon Suk Yeol a 30 anos de prisão por envolvimento em uma operação que teria utilizado drones militares sobre o território da Coreia do Norte para criar um pretexto para a decretação da lei marcial em dezembro de 2024.
A decisão foi divulgada pela agência de notícias Yonhap. Segundo o Tribunal Distrital Central de Seul, Yoon foi considerado culpado pelos crimes de abuso de poder e auxílio ao inimigo.
Operação com drones
De acordo com a sentença, o ex-presidente teria participado desde o início do planejamento de uma incursão com drones realizada em outubro de 2024 sobre Pyongyang, capital da Coreia do Norte.
Os magistrados concluíram que a ação fazia parte de uma estratégia destinada a elevar a tensão militar na Península Coreana e criar justificativas para medidas excepcionais adotadas posteriormente pelo governo.
A defesa de Yoon negou todas as acusações.
Os advogados do ex-presidente argumentaram que ele não ordenou nem autorizou a operação e sustentaram que a missão militar não tinha qualquer relação com a tentativa de implementação da lei marcial.
Segundo a defesa, a ação foi uma resposta aos frequentes lançamentos de balões carregados de lixo enviados pela Coreia do Norte para o território sul-coreano.
Nova condenação se soma à prisão perpétua
A pena anunciada nesta semana amplia a situação judicial do ex-mandatário conservador.
Em fevereiro deste ano, Yoon Suk Yeol já havia sido condenado à prisão perpétua por liderar uma insurreição relacionada à tentativa de impor a lei marcial no país.
A medida provocou uma das maiores crises políticas da história recente da Coreia do Sul e resultou em seu impeachment.
Posteriormente, o Tribunal Constitucional confirmou a destituição do presidente, encerrando oficialmente seu mandato.
Crise política levou a novas eleições
A queda de Yoon desencadeou eleições presidenciais antecipadas no país.
O pleito foi vencido pelo candidato liberal Lee Jae Myung, que assumiu a presidência após a saída definitiva do líder conservador.
A crise institucional gerada pela tentativa de implementação da lei marcial é considerada a mais grave enfrentada pela quarta maior economia da Ásia nas últimas décadas.
Defesa pode recorrer
Yoon Suk Yeol permanece detido e ainda poderá recorrer da decisão proferida pelo tribunal de primeira instância.
Os promotores já haviam solicitado uma pena de 30 anos de prisão durante o julgamento realizado em abril, pedido que acabou sendo integralmente acolhido pela Justiça sul-coreana.
O caso segue repercutindo no país e deve continuar sendo acompanhado pelas autoridades judiciais nas próximas etapas processuais.







