
O missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, confessou ter espancado o próprio filho, de 3 anos, até a morte em Viamão, no Rio Grande do Sul. Segundo a investigação, as agressões teriam começado após a criança não responder ao pai com um “bom dia”.
O crime ocorreu no domingo (5/7), no distrito de Águas Claras, onde a família residia. Grayson foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a detenção convertida em prisão preventiva pela Justiça. A mãe do menino também está presa e é investigada pela Polícia Civil por possível omissão diante das agressões.
Moradores da região relataram que o norte-americano atuava como missionário ligado a uma igreja próxima à zona rural de Águas Claras. Ele vivia no município com a esposa e o filho e, nas redes sociais, apresentava-se como “cantor cristão”.
Em uma das poucas publicações disponíveis em seu perfil, Grayson compartilhou uma fotografia acompanhada da frase em inglês “God is everything”, que significa “Deus é tudo”. Em outro conteúdo, aparece cantando e fazendo gestos diante da câmera, afirmando estar em “fervente oração”.
Moradores relatam discurso sobre submissão
Pessoas que tiveram contato com o missionário afirmaram que ele manifestava opiniões consideradas incomuns sobre a estrutura familiar e o papel do homem dentro de casa. Conforme um vizinho, Grayson defendia que a mulher e os filhos deveriam estar submetidos à autoridade masculina.
Segundo o relato, o missionário sustentava que o homem seria a maior autoridade familiar abaixo de Deus e que esposa e filhos deveriam obedecê-lo.
A família estava no Brasil havia cerca de nove anos e teria se mudado para Viamão aproximadamente seis meses antes do crime.
Agressões teriam começado após ausência de ‘bom dia’
Em depoimento à Polícia Civil, Grayson declarou que atacou o filho porque a criança não teria lhe dado “bom dia”. Conforme o relato apresentado às autoridades, ele admitiu ter desferido socos no peito e no abdômen do menino, além de bater a cabeça da vítima contra o chão.
Após as agressões, o próprio pai levou a criança a uma unidade hospitalar de Viamão. Diante da presença de múltiplas lesões, profissionais de saúde acionaram o 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM).
O norte-americano foi preso em flagrante ainda no hospital. Em razão da gravidade dos ferimentos, o menino precisou ser transferido para Porto Alegre, mas não resistiu.
Na segunda-feira (6/7), durante audiência de custódia, a Justiça decidiu converter a prisão em flagrante do pai em prisão preventiva. O caso permanece sob investigação, incluindo a apuração da possível responsabilidade da mãe da criança.







