
O surto de ebola na República Democrática do Congo continua avançando e preocupa autoridades internacionais de saúde. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a epidemia ainda está em fase de expansão, o diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, alertou que a velocidade da transmissão já supera parte da capacidade de resposta.
Em entrevista ao portal The New Humanitarian, publicada na quarta-feira (9), Kaseya afirmou que “o vírus está avançando mais rápido do que a resposta”, citando dificuldades no rastreamento de contatos, na logística, no financiamento e na ampliação da assistência aos pacientes. Segundo ele, a contenção ainda é possível, desde que haja reforço imediato das ações de vigilância e controle.
Até o momento, o país registra 1.792 casos confirmados e 625 mortes. Cerca de 90% das infecções estão concentradas na província de Ituri, mas a doença já alcançou também as províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Tshopo. A OMS estima que o número real de casos possa ser de duas a quatro vezes maior do que o oficialmente registrado.
O atual surto é causado pela espécie Bundibugyo do vírus ebola, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico aprovado.
Na última terça-feira (7), a representante da OMS no Congo, Anne Ancia, afirmou que a epidemia ainda não apresenta sinais de estabilização.
“Gostaríamos de dizer que está se estabilizando, mas, francamente, ainda não podemos afirmar”, declarou.
Segundo a OMS, um dos principais fatores que favorecem a disseminação da doença é o deslocamento de pessoas infectadas entre cidades antes do diagnóstico, levando o vírus para novas regiões. Além disso, muitos pacientes procuram atendimento apenas quando a infecção já está em estágio avançado, dificultando o controle da transmissão.
Outro desafio apontado pelas autoridades é a circulação silenciosa do vírus. De acordo com os dados mais recentes, quatro em cada cinco novos casos identificados não estavam entre os contatos monitorados pelas equipes de vigilância, indicando que diversas cadeias de transmissão ainda permanecem desconhecidas.
A OMS também informou que aproximadamente 70% das mortes registradas no início do surto ocorreram fora dos centros de tratamento, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao atendimento especializado.
Com informações de Metrópoles







