
O Governo Federal reconheceu, neste sábado (10), em caráter sumário, a situação de emergência em 36 municípios do Amazonas atingidos pelos incêndios florestais e anunciou o envio de mais dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) para reforçar o combate às queimadas. A medida foi adotada após o governador Roberto Cidade (União Brasil) decretar emergência no estado. Segundo o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, a União vinha tratando da crise com o governo amazonense há semanas e precisou insistir para que o decreto fosse publicado e o pedido de reconhecimento federal formalizado.
“Estávamos tratando com o Estado do Amazonas há semanas. Tivemos que insistir na celeridade para que o Estado decretasse a emergência e fizesse o pedido de reconhecimento nacional urgentemente”, afirmou Wolnei Wolff, ao destacar que o procedimento permite acelerar a resposta federal à crise ambiental.
A declaração foi divulgada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no mesmo dia em que representantes do Governo Federal e do Governo do Amazonas se reuniram, a partir das 21h, na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), para coordenar as operações de combate aos incêndios.
O reconhecimento federal da situação de emergência é uma etapa necessária para viabilizar a liberação de recursos federais específicos de resposta ao desastre, conforme os procedimentos da Defesa Civil Nacional.
Ministro garante que não faltarão recursos para enfrentar incêndios
Enviado ao Amazonas para acompanhar a mobilização federal, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, chegou a Manaus no início da noite deste sábado.
Durante a agenda, o ministro assegurou que o Governo Federal disponibilizará a estrutura necessária para enfrentar os incêndios florestais que atingem o estado e provocam episódios de fumaça na capital e no interior.
“Não vai faltar nada: equipamentos, veículos, homens, recursos, tudo o que for preciso será disponibilizado. É assim que o Governo Federal vem fazendo desde 2023”, declarou Waldez Góes.
O ministro participou da articulação entre os órgãos federais e estaduais responsáveis pelas operações emergenciais.
Também estiveram presentes na reunião da Suframa o ministro João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; o presidente do Ibama, Jair Schmitt; o superintendente do Ministério da Saúde no Amazonas, Geraldo Medeiros; e o tenente-coronel Jean de Morais, responsável pela Força Nacional no estado.
O encontro teve como objetivo definir estratégias conjuntas, ampliar a mobilização de recursos e organizar a atuação das equipes nas regiões mais afetadas pelas queimadas.
Dois aviões KC-390 da FAB chegam neste domingo
Entre as medidas anunciadas pelo Governo Federal está o envio de dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira, que já estavam em deslocamento para o Amazonas.
A previsão informada pelo Ministério da Integração é que as aeronaves cheguem a Manaus neste domingo (11), com início das operações programado para segunda-feira (12).
Os dois aviões se somarão às seis aeronaves federais recebidas pelo governador Roberto Cidade na tarde deste sábado.
O primeiro reforço inclui quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre áreas atingidas pelo fogo, e dois helicópteros destinados ao apoio logístico e transporte de equipes.
Além da estrutura aérea, o Governo Federal informou que mobilizou 290 brigadistas para atuar no enfrentamento dos incêndios florestais no Amazonas.
As operações contam com a participação do Ibama, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e demais órgãos envolvidos na resposta à emergência ambiental.
Governo Federal já disponibilizou R$ 45 milhões para equipar Bombeiros do Amazonas
Outro ponto destacado pelo Ministério da Integração foi o volume de recursos destinados ao fortalecimento da estrutura estadual de combate aos incêndios.
Por meio do projeto ProAmazon, apoiado pelo Fundo Amazônia, o Governo Federal disponibilizou R$ 45 milhões para equipar o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
Segundo o MIDR, desse montante, o Estado já recebeu R$ 34,7 milhões, enquanto aproximadamente R$ 10 milhões permanecem disponíveis para utilização.
Os recursos possuem destinação específica e devem ser aplicados na aquisição de viaturas, equipamentos de segurança e estruturação de bases operacionais destinadas ao enfrentamento de incêndios florestais.
O ministério ressaltou que os investimentos fazem parte das medidas de fortalecimento da capacidade de resposta do Amazonas diante de eventos climáticos e ambientais.
Amazonas recebeu mais de R$ 372 milhões em recursos federais desde 2023
O Ministério da Integração também apresentou um levantamento sobre os repasses realizados ao Amazonas para ações relacionadas a desastres naturais.
De acordo com os registros oficiais da pasta, entre 2023 e outubro de 2026, o estado recebeu R$ 372.065.406,32 destinados a socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais após desastres.
Nesse período, foram aprovados 262 planos de trabalho apresentados à Defesa Civil Nacional.
A maior parte corresponde a ações de assistência humanitária, que somaram 243 planos aprovados.
Outros seis planos foram destinados ao restabelecimento de serviços essenciais e 13 à reconstrução de estruturas afetadas por desastres.
A distribuição anual apresentada pelo ministério foi a seguinte:
- 2023: 74 planos de assistência humanitária, quatro de restabelecimento e seis de reconstrução.
- 2024: 70 planos de assistência humanitária, dois de restabelecimento e cinco de reconstrução.
- 2025: 54 planos de assistência humanitária e dois de reconstrução.
- 2026: 45 planos de assistência humanitária aprovados até o momento.
Os valores apresentados pelo MIDR correspondem ao conjunto de ações de resposta a desastres no Amazonas desde 2023, não exclusivamente ao combate aos incêndios florestais registrados neste ano.
Reunião na Suframa define atuação conjunta durante emergência
A reunião realizada na noite deste sábado, na sede da Suframa, buscou integrar as ações dos governos federal e estadual para conter o avanço dos incêndios e reduzir os impactos da fumaça sobre a população.
Entre as prioridades discutidas estão o reforço da logística aérea, a distribuição de brigadistas especializados, o acompanhamento das operações pela Defesa Civil Nacional e a proteção das comunidades atingidas.
A Defesa Civil Nacional também emitiu alertas à população sobre os riscos associados à concentração de fumaça, com orientações para reduzir a exposição ao ar poluído.
Com o reconhecimento da situação de emergência em 36 municípios, o Amazonas passa a contar com a possibilidade de acelerar o acesso aos mecanismos federais de apoio financeiro e operacional para enfrentar a crise.
As ações conjuntas deverão continuar durante o período de emergência, com o objetivo de controlar os focos de incêndio, reduzir os danos ambientais e minimizar os impactos sobre a saúde da população amazonense.
O decreto estadual de situação de emergência abrange 36 municípios, distribuídos pela Região Metropolitana de Manaus, pelo sul do Amazonas e por outras regiões do estado. São eles:
- Autazes
- Careiro
- Careiro da Várzea
- Iranduba
- Itacoatiara
- Itapiranga
- Manacapuru
- Manaquiri
- Manaus
- Novo Airão
- Presidente Figueiredo
- Rio Preto da Eva
- Silves
- Apuí
- Boca do Acre
- Borba
- Canutama
- Humaitá
- Lábrea
- Manicoré
- Novo Aripuanã
- Pauini
- Tapauá
- Barreirinha
- Boa Vista do Ramos
- Caapiranga
- Coari
- Eirunepé
- Envira
- Guajará
- Ipixuna
- Maués
- Nova Olinda do Norte
- Parintins
- Tefé
- Urucurituba







