Por Luís Lemos – filósofo, professor e escritor.
Desde os tempos mais antigos, o ser humano busca compreender o mundo em que vive e o sentido da própria existência. Essa busca está ligada a perguntas fundamentais sobre a origem da vida, o significado da natureza, o sofrimento humano e o mistério da morte. A partir dessas inquietações, surgem diferentes formas de relação com o sagrado, que ajudam as pessoas a interpretar a realidade e a orientar suas escolhas.
O sagrado pode ser entendido como aquilo que é considerado especial, valioso ou pleno de significado para uma pessoa, um grupo ou uma comunidade. Ele pode se manifestar na natureza, em pessoas, em lugares, em símbolos ou em experiências que despertam respeito, admiração e cuidado. Cada cultura desenvolve maneiras próprias de reconhecer, expressar e vivenciar o sagrado, construindo práticas, crenças e valores que orientam a vida coletiva.
Segundo Mircea Eliade, um dos principais estudiosos do fenômeno religioso, o sagrado se manifesta na experiência humana como uma realidade que rompe a rotina do cotidiano e confere um sentido mais profundo à existência. Para o autor, “o sagrado é uma dimensão da realidade que se revela ao ser humano e transforma o mundo comum em um espaço carregado de significado” (ELIADE, 2018, p. 17-21). Assim, o encontro com o sagrado modifica a maneira de ver, sentir e agir, despertando reverência, responsabilidade e um compromisso ético com a vida, com o outro e com o próprio mundo.
Dessa forma, ao longo da história, povos de diferentes tempos e lugares criaram narrativas, mitos, ritos e símbolos para explicar o mundo e se aproximar do sagrado. Essas expressões contribuíram para organizar a vida em comunidade, transmitir valores e fortalecer a identidade cultural dos grupos humanos. Além disso, possibilitaram a construção de sentidos para a existência, oferecendo respostas às grandes questões sobre a vida, a morte, a natureza e o próprio destino humano, bem como orientando comportamentos, escolhas e formas de convivência.
Nesse contexto, as tradições religiosas e as filosofias de vida podem ser compreendidas como respostas humanas à busca pelo sagrado. Elas orientam comportamentos, modos de viver e relações sociais, oferecendo explicações sobre a vida, a natureza e o papel do ser humano no mundo. Mesmo pessoas que não seguem uma religião específica também procuram sentido, propósito e valores que deem significado à existência.
A busca pelo sagrado também está profundamente relacionada à vivência de valores como o respeito, a solidariedade, o cuidado e a responsabilidade. Ao reconhecer algo como sagrado, o ser humano aprende a valorizar a vida, o outro e o ambiente em que vive, contribuindo para uma convivência mais ética, justa e harmoniosa.
Para aqueles que trilham esse caminho, o sagrado não se limita a ritos ou tradições, mas se manifesta como fonte profunda de sentido, esperança e fortalecimento interior. Nesse encontro, a pessoa reconhece sua ligação com algo maior, desenvolvendo sensibilidade para o valor da vida, a dignidade do outro e o cuidado com o mundo.
Por fim, compreender o ser humano e sua busca pelo sagrado permite reconhecer a diversidade de crenças, valores e modos de viver presentes na sociedade. Esse entendimento favorece o respeito às diferenças, o diálogo entre culturas e a construção de relações baseadas na dignidade humana, na tolerância e na promoção da cultura de paz.





