Anna Jarvis fez campanha incansavelmente para estabelecer oficialmente o Dia das Mães - Getty Images

A história do Dia das Mães é bem mais complexa do que parece. Começou com Anna Jarvis, uma mulher que nunca foi mãe, mas decidiu homenagear a sua após sua morte em 1905. Ela iniciou uma campanha pessoal, enviando cartas para políticos e celebridades durante anos até conseguir que o segundo domingo de maio fosse oficializado como feriado em 1914.

O problema é que Jarvis criou algo que depois rejeitou. Assim que a data ganhou força comercial — com floriculturas aumentando preços, indústrias de cartões surgindo, presentes caros sendo vendidos — ela se virou contra tudo aquilo. Chamava os comerciantes de “vândalos comerciais” e ameaçava processar empresas. Acreditava que o Dia das Mães deveria ser um “dia sagrado”, celebrado com cartas manuscritas, não com presentes caros.

No final da vida, consumida por dívidas e depressão, confessou a um jornalista: “Lamento profundamente ter criado o Dia das Mães.”

No Brasil, a data foi consolidada durante a ditadura militar (1964-1985), quando havia uma valorização enorme da família e das mães. A maternidade dedicada era exaltada em concursos e capas de revista. Hoje, é a segunda data mais importante do varejo nacional — em 2026, deve movimentar quase R$ 38 bilhões, com cerca de 127 milhões de consumidores comprando presentes.

Nos EUA, as vendas ultrapassam US$ 23 bilhões. Os produtos mais vendidos são moda, beleza, chocolates e flores, além de experiências como almoços e viagens. O consumidor médio gasta em torno de R$ 294.

É iônico: a mulher que lutou para criar um dia de homenagem sincera às mães terminou seus dias arrependida de ter criado o que se tornou uma das maiores máquinas comerciais do ano.

Com informações de BBC Brasil

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