
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, classificou como um “mal-entendido já superado” a abordagem feita por policiais militares ao carro do candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, na noite de terça-feira (11). Segundo o secretário, os agentes realizavam buscas por quatro suspeitos de envolvimento em um assalto ocorrido nas proximidades da residência do ex-ministro da Fazenda.
Haddad relatou nesta quarta-feira (12) que considerou a abordagem “fora do padrão” e intimidatória. Segundo o candidato, mesmo após os policiais identificarem quem estava no veículo, a equipe teria continuado a acompanhar o motorista por um longo trecho.
De acordo com Nico Gonçalves, a abordagem ocorreu durante uma operação ostensiva para localizar integrantes da chamada “gangue do vidro”, grupo associado a roubos e furtos praticados com a quebra de vidros de veículos. O secretário afirmou que fez questão de conversar diretamente com Haddad para explicar as circunstâncias da ação.
A versão apresentada pela Secretaria de Segurança, no entanto, não encerrou os questionamentos levantados pela campanha do candidato. Interlocutores de Haddad afirmaram que existem diferentes versões sobre o episódio e defenderam uma apuração mais detalhada para esclarecer a conduta dos policiais envolvidos.
Segundo integrantes da campanha, seria possível identificar previamente o veículo utilizado pela equipe de Haddad por meio do sistema de monitoramento da cidade. Eles argumentam que uma ação de inteligência, com base nos dados disponíveis na central do Smart Sampa, poderia ter evitado a abordagem caso os policiais tivessem acesso às informações sobre o deslocamento do candidato.
Diante da repercussão do caso, a coordenação da campanha de Haddad encaminhou uma notícia de fato à Procuradoria Regional Eleitoral. O objetivo é solicitar que a Justiça Eleitoral avalie as circunstâncias da abordagem e eventual relação do episódio com o contexto eleitoral.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também determinou que a Secretaria de Segurança Pública identifique a viatura e os policiais militares responsáveis pela abordagem. A orientação, segundo informações divulgadas sobre o caso, é esclarecer o ocorrido e evitar que o episódio seja utilizado politicamente durante a disputa eleitoral.
A abordagem aconteceu após Haddad participar de um evento na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco. Na sequência, quando chegava à residência, o veículo em que estava foi parado pelos policiais.
A Secretaria de Segurança Pública sustenta que os agentes estavam mobilizados para localizar suspeitos de um crime ocorrido na região e que a ação ocorreu dentro desse contexto. Já Haddad considera que a forma como a abordagem foi conduzida ultrapassou os procedimentos esperados para uma situação desse tipo.
A identificação da equipe policial e a análise das imagens das câmeras de monitoramento poderão ajudar a esclarecer a sequência dos acontecimentos. A apuração deverá verificar o motivo da abordagem, a comunicação entre os policiais e o veículo do candidato e as razões para o acompanhamento posterior relatado por Haddad.
O episódio ocorre em meio à preparação para a disputa pelo governo de São Paulo e, por isso, passou a ser acompanhado também pelas autoridades eleitorais. A investigação deverá determinar se houve apenas uma abordagem decorrente de uma operação policial ou se existiram outros fatores relacionados à atuação dos agentes.







