
As ações da Natura dispararam nesta terça-feira (31), superando R$ 10 pela primeira vez desde setembro do ano passado, após acordo que prevê a aquisição de uma participação de até 10% na fabricante de cosméticos pela norte-americana Advent International.
Por volta de 14h50, as ações saltavam 11,90%, cotadas a R$ 10,34 – melhor desempenho entre os papéis do Ibovespa, que subia mais de 2%.
Os papéis não haviam sido negociados acima de R$ 10 desde 19 de setembro do ano passado, quando chegaram a R$ 10,44 na máxima daquela sessão.
O compromisso firmado por acionistas signatários do acordo da Natura, incluindo os fundadores, com o fundo de investimento Lotus, detido pela empresa de private equity, envolve a aquisição no mercado secundário de participação equivalente a no mínimo 8% e no máximo 10% do capital social.
A operação, de acordo com fato relevante da Natura na noite da véspera, deverá ocorrer no prazo de até seis meses, observado o preço-alvo médio de R$ 9,75.
Alcançando essa participação minoritária, Advent poderá indicar dois membros adicionais para compor o conselho de administração e participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado.
“A possível entrada da Advent pode redefinir/reforçar o senso de responsabilidade e de ‘ownership’ na Natura, o que, ao longo do tempo, pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos”, afirmaram analistas do Bradesco BBI em relatório publicado no final da segunda-feira.
Novo conselho, sem fundadores
A Natura também divulgou que os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos decidiram migrar do conselho de administração para um novo conselho consultivo, a ser instituído e eleito, conforme proposta a ser apreciada em assembleia de acionistas convocada para 29 de abril.
De acordo com a proposta, o conselho consultivo, se instituído, terá por função zelar pela preservação dos propósitos, dos valores e da cultura da Natura, bem como pela perpetuação do legado dos seus fundadores, sem funções executivas ou poderes decisórios ou de representação da empresa.
A Natura também anunciou que Fábio Barbosa deixará o conselho de administração, no qual ocupa a cadeira de presidente, e passará a atuar como membro do conselho consultivo, dependendo também da decisão na assembleia.
Diante disso, a administração propôs a recomposição integral do conselho para um mandato de dois anos, a ser iniciado após a assembleia.
A chapa proposta prevê a permanência de Duda Kertesz, João Paulo Ferreira (CEO) e Alessandro Carlucci, com este último assumindo a presidência do colegiado; além da entrada de Pedro Villares, Guilherme Passos e Luiz Guerra, parte da transição dos fundadores, e a eleição de Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.
Além dos fundadores e de Barbosa, Bruno Rocha e Gilberto Mifano também deixam o conselho.
“Nós enxergamos a proposta de renovação do conselho, juntamente com a mentalidade estratégica de ‘nova fase’, como um desenvolvimento construtivo”, afirma o relatório do Bradesco BBI assinado por Pedro Pinto e equipe, que têm recomendação “outperform” para as ações.
“A nova composição traz profissionais experientes e seniores, mais alinhados às competências necessárias para a próxima etapa da companhia, e é liderada por Alessandro Carlucci, membro do conselho no último ano e, anteriormente, CEO da Natura em um ciclo de destaque (2004–2014)”, acrescentaram.
Os analistas do Bradesco BBI também destacaram que o envolvimento contínuo dos fundadores e “principais visionários da Natura deve ajudar a preservar a cultura da empresa e seu DNA estratégico de longo prazo, ativos fundamentais na construção de uma das marcas mais fortes do Brasil e da América Latina”.
Com informações da CNN Brasil.







