
Agosto empatou com julho de 2023 como o mês mais quente já registrado desde o início das medições da temperatura global, em 1850. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. Segundo os cientistas, a temperatura média do ar na superfície do planeta chegou a 16,96 °C no mês, representando uma elevação de 1,65 °C em relação aos níveis registrados no período pré-industrial do século XIX.
O resultado coloca agosto de 2026 no mesmo patamar de julho de 2023, que até então ocupava isoladamente a posição de mês mais quente já observado. A marca reforça a tendência de aumento das temperaturas globais e os impactos associados às mudanças climáticas.
A elevação de 1,65 °C em relação ao período pré-industrial também chama atenção para a meta estabelecida pelo Acordo de Paris, firmado em 2015 por 195 países. O compromisso internacional busca limitar o aumento da temperatura média global a bem menos de 2 °C e, preferencialmente, a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.
Apesar de agosto ter registrado uma temperatura mensal 1,65 °C superior ao período de referência, esse número não significa que a meta de 1,5 °C do Acordo de Paris tenha sido oficialmente ultrapassada de forma permanente. O parâmetro utilizado pelos cientistas para avaliar esse limite considera a temperatura média global ao longo de períodos mais extensos. Atualmente, essa média permanece em aproximadamente 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais.
Diante do novo recorde, os cientistas do Copernicus reforçaram a necessidade de acelerar a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2). A diminuição dos gases responsáveis pelo aquecimento do planeta é apontada como fundamental para evitar que o limite estabelecido internacionalmente seja ultrapassado de maneira persistente.
O calor extremo também atingiu os oceanos. As águas superficiais das regiões marítimas localizadas fora das áreas polares alcançaram em agosto a maior temperatura já registrada para um único mês. No Pacífico Tropical, uma das influências para o aquecimento foi o fenômeno El Niño, que, segundo a previsão apresentada, deve ganhar força nos próximos meses.
Para Samantha Burgess, líder estratégica do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, a mudança climática deixou de ser uma questão distante e passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. Segundo ela, os efeitos do aquecimento já podem ser observados diretamente em diferentes regiões.
Ao longo de agosto, eventos climáticos extremos provocaram mortes, destruição e prejuízos em diversos países. No Nepal e no Tibete, enchentes e deslizamentos de terra deixaram centenas de mortos. Incêndios florestais também atingiram áreas de países como Indonésia, Grécia e Bélgica, enquanto regiões da Hungria e da Romênia enfrentaram uma forte estiagem.
Na Europa, os efeitos das temperaturas elevadas também foram sentidos na infraestrutura e nos serviços públicos. Burgess citou problemas como o derretimento de estradas, danos em linhas ferroviárias, fechamento de escolas, sobrecarga de hospitais e incêndios florestais em níveis considerados excepcionais para o período do ano.
O novo levantamento do Copernicus reforça os alertas de cientistas sobre a intensificação dos efeitos das mudanças climáticas. O registro de temperaturas extremas, combinado ao aumento de eventos como incêndios, enchentes, secas e ondas de calor, amplia a pressão sobre governos para acelerar medidas de redução das emissões de gases de efeito estufa e adaptação das cidades aos impactos do aquecimento global.







