Igo Estrela/Metrópoles

A Americanas informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que desconhece os critérios utilizados pela Polícia Federal (PF) para estimar em R$ 54 bilhões o valor da fraude contábil investigada na companhia. A manifestação foi encaminhada à autarquia na noite de terça-feira (1º), em resposta a um ofício enviado pela CVM após a nova fase das investigações.

A divergência surgiu após a deflagração da segunda fase da Operação Disclosure, realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF), que apura o esquema de fraudes contábeis revelado em janeiro de 2023 e considerado um dos maiores escândalos corporativos do país.

Na operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, tendo como alvos acionistas, conselheiros e credores da empresa.

Além de apontar uma fraude estimada em R$ 54 bilhões, a Polícia Federal informou que a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até esse mesmo limite.

Empresa reconhece R$ 25,3 bilhões em irregularidades

No comunicado enviado à CVM, a Americanas afirmou que o valor reconhecido pela companhia referente aos lançamentos contábeis indevidos e às fraudes identificadas é de R$ 25,3 bilhões.

Segundo a empresa, esse montante já havia sido divulgado ao mercado por meio de suas demonstrações financeiras auditadas por auditoria independente.

A companhia acrescentou que não tem conhecimento de novos fatos relacionados às investigações que justifiquem uma revisão desse valor.

Inquérito está sob sigilo

A Americanas destacou ainda que o valor de R$ 54 bilhões mencionado pela Polícia Federal teria sido apurado em um inquérito que tramita sob sigilo judicial.

Por esse motivo, a empresa afirmou que não teve acesso aos autos da investigação e, consequentemente, não sabe como a estimativa foi calculada.

“A Americanas não é investigada e não tem acesso ao referido inquérito. Dessa forma, não se sabe como o suposto montante teria sido alcançado, quais critérios teriam sido eventualmente adotados, nem a qual escopo se refere”, informou a companhia na nota encaminhada à CVM.

As investigações da Operação Disclosure continuam para apurar responsabilidades pelas fraudes contábeis que vieram à tona em 2023 e provocaram forte impacto financeiro e institucional na varejista.

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