
O ex-prefeito de Rio Preto da Eva Anderson José de Sousa afirmou que vê a “impressão digital” do governador Roberto Cidade em sua prisão, ocorrida no domingo (4), quando foi ao Colégio Estadual Raimundo Paz para votar com a família. Um dia após o episódio, Anderson subiu o tom contra o governador e o acusou de ter “aparelhado o Estado” nos municípios em benefício de sua campanha eleitoral.
“O que ele fez, o governador? Aparelhou o Estado em todos os municípios — na saúde, educação, assistência social, SUAS, no Prato Cheio, nas delegacias e Polícia Militar. Todos os setores o senhor procurou aparelhar em prol da sua eleição”, declarou Anderson nesta segunda-feira (5).
As declarações são acusações feitas pelo ex-prefeito. Anderson não apresentou, no relato divulgado, provas que demonstrem interferência direta de Roberto Cidade na ação policial que resultou em sua prisão.
Anderson relaciona prisão a cobranças dos municípios
Anderson também relacionou o episódio ao embate travado por prefeitos e representantes dos municípios com o Governo do Amazonas por repasses destinados ao interior.
Segundo o ex-prefeito, cobranças relacionadas à saúde, ao Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI) e ao TCG teriam provocado insatisfação do governo estadual.
Ele afirma que as prefeituras acumulam dois meses sem receber recursos do FTI e do TCG e anunciou que a questão deverá ser levada à Justiça caso os pagamentos não sejam regularizados.
“Vamos à Justiça para que o senhor pague o que deve à saúde, que está doente pelo descaso do Estado, que ignora a grave situação do povo do interior”, afirmou.
Na semana anterior à eleição, prefeitos e gestores municipais haviam elevado o tom das cobranças por recursos estaduais destinados aos municípios, especialmente aqueles relacionados ao financiamento da saúde no interior.
“Fui tolhido de exercer meu direito”
Ao relatar o momento da prisão, Anderson afirmou que havia ido ao local de votação acompanhado da esposa e dos filhos e negou que estivesse praticando crime eleitoral.
“Eu fui tolhido de exercer o meu direito de cidadão, de poder ir às urnas e votar”, disse.
Segundo sua versão, a movimentação teria começado porque pessoas que estavam no local passaram a cumprimentá-lo e a abraçar integrantes de sua família.
“Eu estive com a minha família, meus filhos, dois gêmeos, eu e a minha esposa, onde votamos na mesma seção eleitoral, e ali, ao chegar, nós fomos advertidos pela Polícia Militar, de forma truculenta, de que nós estávamos tumultuando porque as pessoas estavam indo me abraçar, estavam indo beijar a minha esposa, cumprimentar”, relatou.
Anderson afirmou ainda que o comandante policial teria entrado em contato com a juíza responsável pela eleição, relatando uma suposta situação de tumulto. Conforme a versão do ex-prefeito, a partir daí teria sido determinada a adoção de providências.
“Em vez de pedir para evitar as manifestações, ele me levou para a delegacia, gerando revolta aos presentes”, afirmou.
SSP apresentou outra versão para a prisão
A versão apresentada pelas autoridades de Segurança Pública é diferente. Anderson José de Sousa e o ex-secretário municipal de Comunicação Erlan Roberto Guedes da Costa foram detidos no domingo no Colégio Estadual Raimundo Paz, em Rio Preto da Eva.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, a ocorrência teve início após uma denúncia de possível crime eleitoral. A juíza responsável pelo pleito teria solicitado a presença da Polícia Militar no local.
Segundo o secretário de Segurança Pública, coronel Anézio Paiva, durante a abordagem Anderson teria agredido um sargento da Polícia Militar. O ex-prefeito recebeu voz de prisão e foi conduzido à delegacia. A ocorrência envolveu suspeitas de crime eleitoral, resistência, desobediência e lesão corporal.
Anderson contesta essa versão e sustenta que foi alvo de uma ação injustificada quando pretendia exercer o direito de voto.
As circunstâncias do episódio e eventuais responsabilidades deverão ser definidas pelas autoridades responsáveis pela apuração.







