O Papa Francisco retomou a agenda normal no Vaticano neste sábado, um dia depois de cancelar as atividades por conta de uma febre. Aos 86 anos, o pontífice tem convivido com problemas pontuais de saúde, que inclusive o levaram a uma breve hospitalização em março, o que não o fez mudar sua rotina de viagens, celebrações e eventos públicos.

Neste sábado, ele se reuniu com um grupo de artistas, incluindo o diretor Martin Scorcese. No encontro, Francisco exaltou seu amor pela literatura, e destacou o papel da arte na construção do ser humano e da sociedade.

— As palavras daqueles autores ajudaram a me compreender, a compreender o mundo e meu povo, mas também a entender mais profundamente o coração hgumano, minha própria vida de fé e meu trabalho pastoral, mesmo agora, no presente ministério — disse Francisco, de acordo com o Vatican News. — [A literatura] é como um espinho no coração, ela nos move rumo à contemplação e nos apresenta uma jornada.

— Primeiro, me deixem colocar dessa forma: vocês são os olhos que veem e sonham — disse, usando uma metáfora criada por um autor latino-americano e que sempre aparece em suas falas, a de que temos dois olhos: um de carne e outro de vidro. — Com o olho de carne vemos o que está na nossa frente. Com o olho de vidro, vemos nossos sonhos.

Segundo a agenda, ele vai celebrar neste domingo a missa na Basílica de São Pedro, em celebração de Pentecostes, seguida da tradicional oração do Regina Coeli (“Rainha do Céu”). Um ritmo intenso de trabalho, que levou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, a fazer um raro desabafo na quinta-feira.

— O Papa estava cansado. Ontem [quarta-feira] ele teve um dia intensa e viu muitas pessoas. Houve a reunião com a Scholas Occurrentes [organização educacional argentina ligada ao Papa] e ele quis falar com cada pessoa de forma individual. Em determinado ponto, as pessoas se tornam menos resistentes — disse Parolin à agência ANSA, na quinta-feira.

Um dia depois, a agenda de Francisco foi cancelada por causa de uma febre.

Aos 86 anos, Francisco convive com problemas recorrentes de saúde, como dores incômodas em seu joelho direito e, em março, a uma breve hospitalização por causa de uma bronquite. Neste cenário, também são recorrentes os comentários na Igreja sugerindo que ele poderia seguir o exemplo de seu antecessor, Bento XVI, falecido em dezembro, e renunciar ao pontificado, algo que o próprio Papa sugeriu em diversas ocasiões.

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