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O funkeiro MC Ryan, que estava preso desde o último 15 de abril por supostamente liderar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro (leia mais abaixo), foi solto nesta quinta-feira (14/5). Ele deixou a Penitenciária II de Mirandópolis, no interior de São Paulo.

Segundo apuração, o funkeiro deve ir direto a Mogi das Cruzes, a cerca de 645 quilômetros de distância do presídio, onde tem residência fixa em um condomínio de luxo.

O cantor terá que cumprir uma série de exigências determinadas pela Justiça Federal, entre elas a proibição de deixar o país sem autorização judicial, a entrega do passaporte às autoridades e não deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial.

A decisão da desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, também lista que MC Ryan vai ter de comparecer aos atos do processo, informar eventual mudança de endereço e comparecer mensalmente em juízo.

A Justiça Federal não mencionou se o funkeiro paulista estará liberado para realizar shows pelo país.

A soltura de MC Ryan teve como base o habeas corpus dado ao empresário Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como “Rato”, da produtora Love Funk. Com isso, outros presos na mesma Operação, a Narco Fluxo, foram beneficiados. Além do funkeiro, serão soltos Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e a esposa, Débora Paixão – a mulher estava em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Fintech de chineses

Segundo a investigação da Polícia Federal, entre as irregularidades apuradas, está um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao funkeiro MC Ryan que utilizava uma fintech administrada por imigrantes chineses para movimentar valores milionários vindo de bets ilegais, rifas clandestinas e outras atividades.

De acordo com a PF, a empresa Golden Cat Processamento de Pagamento, criada em 2023 em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, teria movimentado cerca de R$ 1,2 bilhão em apenas três meses, entre junho e agosto de 2024. A fintech concentrava operações ligadas principalmente a plataformas de apostas on-line e, segundo as investigações, não possuía autorização do Banco Central para funcionar.

Segundo os investigadores, a fintech teria sido usada para pulverizar e ocultar a origem dos valores movimentados pelo grupo, dificultando o rastreamento do dinheiro pelas autoridades. A PF apura se parte dos recursos circulava por contas ligadas a empresas de fachada e plataformas digitais usadas para apostas e rifas ilegais.

Operação Narco Fluxo

  • Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participaram da operação e buscaram cumprir 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Santos. Seis pessoas seguem foragidas.
  • A ação ocorreu nas seguintes unidades da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal.
  • A PF acredita que o volume financeiro movimentado pelo grupo criminoso ultrapasse R$ 260 bilhões, de acordo com decisão do juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho.
  • Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
  • Entre os presos na operação, em abril de 2026, estavam os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
  • A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
  • O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
  • De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “Tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf”.

Com Metrópoles.

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