Javier Milei e Lula durante o G20 no Brasil Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

As relações diplomáticas entre Brasil e Argentina atravessam um período de forte tensão após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

A crise ganhou força em julho, durante a Convenção Nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. No evento, Milei chamou Lula de “presidiário” e “ladrão” e dirigiu uma ofensa ao ministro Alexandre de Moraes.

As declarações provocaram reação do governo brasileiro. O Itamaraty convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e chamou o então embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar formalmente a insatisfação com as falas.

O presidente do STF, Edson Fachin, também reagiu. Em manifestação pública, classificou as declarações contra Moraes como desrespeitosas e incompatíveis com a civilidade esperada nas relações entre Estados.

Relação diplomática foi rebaixada

A tensão aumentou nas semanas seguintes, depois que Milei voltou a criticar Lula publicamente. Em agosto, o governo brasileiro decidiu manter Julio Bitelli em Brasília e rebaixar a representação diplomática com a Argentina ao nível de encarregado de negócios.

Às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, Milei voltou a fazer críticas a Lula e manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. O presidente argentino também repetiu acusações contra o governo brasileiro sem apresentar provas para algumas delas.

Apesar do conflito político entre os governos, Brasil e Argentina mantêm uma relação econômica relevante e integram o Mercosul. Os canais técnicos entre os dois países continuam funcionando, enquanto a relação no nível presidencial permanece deteriorada.

Com informações de IstoÉ

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