
A poucos dias da eleição presidencial, a nova rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (23), mostra uma disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No cenário de segundo turno entre os dois, apenas 0,3 ponto percentual separa os candidatos: Lula registra 47,7%, contra 47,4% de Flávio. Brancos, nulos e eleitores que não souberam responder somam 4,9%. Considerada a margem de erro de 1 ponto percentual, o resultado configura empate técnico.
O equilíbrio também aparece quando são considerados somente os votos válidos. Nesse recorte, Lula tem 50,2%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 49,8% — uma diferença de apenas 0,4 ponto percentual.
A pesquisa foi realizada entre 17 e 22 de setembro, com 5.015 entrevistados da população adulta brasileira. O levantamento utilizou recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), tem margem de erro de 1 ponto percentual, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04739/2026.
Lula tem 45,8% e Flávio 43,4% no primeiro turno
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece numericamente à frente, com 45,8%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 43,4%. A diferença é de 2,4 pontos percentuais.
Bem atrás dos dois primeiros aparecem Renan Santos (Missão), com 4,5%; Augusto Cury (Avante), com 2,1%; Ronaldo Caiado (PSD), com 1,3%; e Romeu Zema (Novo), com 0,9%. Outros candidatos somam 0,8%, enquanto 0,7% declararam voto branco ou nulo e 0,5% não souberam responder.
Considerando somente os votos válidos, Lula aparece com 46,3%, contra 43,9% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos tem 4,6%; Augusto Cury, 2,1%; Ronaldo Caiado, 1,4%; Romeu Zema, 0,9%; e os demais nomes, 0,8%.
A série histórica apresentada pela AtlasIntel mostra que, na comparação com a rodada anterior, divulgada em 17 de setembro, os dois principais candidatos cresceram 1,7 ponto percentual: Lula passou de 44,1% para 45,8%, enquanto Flávio avançou de 41,7% para 43,4%. Dessa forma, a distância entre eles permaneceu em 2,4 pontos.
Segundo turno: Lula x Flávio tem o cenário mais apertado
A AtlasIntel testou cinco confrontos de segundo turno. O duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro é o mais equilibrado entre os apresentados pelo instituto:
Lula 47,7% x Flávio Bolsonaro 47,4% — brancos/nulos/não sabem: 4,9%;
Lula 47,6% x Romeu Zema 42,2% — brancos/nulos/não sabem: 10,2%;
Lula 46,6% x Ronaldo Caiado 44,0% — brancos/nulos/não sabem: 9,4%;
Lula 46,2% x Augusto Cury 39,4% — brancos/nulos/não sabem: 14,4%;
Lula 46,5% x Renan Santos 31,2% — brancos/nulos/não sabem: 22,3%.
Em votos válidos, os mesmos confrontos ficam em 50,2% a 49,8% entre Lula e Flávio; 53% a 47% contra Zema; 51,5% a 48,5% contra Caiado; 54% a 46% contra Cury; e 59,8% a 40,2% contra Renan Santos.
Disputa Lula x Flávio mudou de lado na margem mínima
Outro dado da série histórica ajuda a dimensionar o equilíbrio. Na rodada anterior da Atlas/Bloomberg, realizada entre 11 e 16 de setembro, Flávio Bolsonaro aparecia numericamente com 47,2%, contra 46,8% de Lula. Agora, Lula registra 47,7% e Flávio, 47,4%. Em ambas as pesquisas, porém, as diferenças estão dentro da margem de erro.
Nos votos válidos, a inversão também é pequena: na rodada anterior, Flávio tinha 50,2% e Lula 49,8%; agora, os mesmos percentuais aparecem invertidos, com Lula em 50,2% e Flávio em 49,8%.
Rejeição de Lula e Flávio supera 50%
A pesquisa mostra também índices elevados e próximos de rejeição dos dois principais candidatos. Questionados sobre em qual político não votariam “de jeito nenhum”, 51,6% citaram Lula e 50,6% Flávio Bolsonaro.
Jair Bolsonaro aparece com 39%; Renan Santos, 33,5%; Romeu Zema, 30,4%; Ronaldo Caiado, 23,7%; e Augusto Cury, 21,4%. Apenas 0,6% responderam que não rejeitam nenhum dos nomes apresentados.
O levantamento também perguntou qual resultado eleitoral provocaria mais “medo ou preocupação”. Para 47,3%, seria a reeleição de Lula; para 46%, a eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 6,5% disseram que os dois resultados preocupam igualmente e 0,1% não soube responder.
Desaprovação de Lula chega a 53%
A pesquisa Atlas/Bloomberg também mediu a avaliação do atual presidente. 53% desaprovam o desempenho de Lula, enquanto 45,4% aprovam e 1,6% não soube responder.
Na avaliação do governo, 50,9% classificam a administração como ruim ou péssima, 40,4% como ótima ou boa e 8,7% como regular.
Crise no STF é vista como mais prejudicial a Lula por 52,3%
Outro recorte eleitoralmente relevante do levantamento trata da crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal. Segundo a pesquisa, 52,3% dos entrevistados dizem acreditar que a crise prejudica mais a candidatura de Lula, enquanto 20,8% consideram que prejudica mais Flávio Bolsonaro.
Para 15,5%, os dois são prejudicados igualmente; 7,5% avaliam que nenhum deles é afetado; e 3,9% não souberam responder. Trata-se da percepção declarada pelos entrevistados, e não de uma medição direta do efeito sobre votos.
Sobre o caso Banco Master, a divisão é igualmente apertada: 43,8% dizem perceber principalmente aliados de Bolsonaro envolvidos, enquanto 43,4% apontam aliados de Lula. Outros 10,6% consideram todos igualmente implicados, 1,6% apontam principalmente o Centrão e 0,6% não souberam responder. A pergunta mede a percepção dos entrevistados sobre envolvimento, não estabelece responsabilidade factual ou jurídica.
Preço dos alimentos pesa no bolso das famílias
Fora dos cenários eleitorais, o levantamento traz um dado econômico que ajuda a retratar as preocupações dos entrevistados. Questionados sobre o que mais tem impactado negativamente a situação financeira da família, 44,2% apontaram o aumento do preço dos alimentos, seguido pelo aumento das contas básicas, como luz, água, gás e internet, com 32,1%.
Dívidas acumuladas e juros altos aparecem com 25%; impostos, 23,9%; gastos com saúde, 11,1%; e aumento do custo de transporte e combustível, 9,5%. Os entrevistados podiam indicar até duas opções.
No balanço sobre o fim do mês, 30,4% dizem que conseguem pagar tudo, mas sem sobrar dinheiro; 19,7% conseguiram guardar dinheiro em alguns meses; 19,6% relataram falta de dinheiro na maioria dos meses; 16,3% conseguiram poupar regularmente; e 13,9% disseram ter faltado dinheiro em alguns meses.
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