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A Azul, uma das três principais companhias aéreas do Brasil, informou, nesta quarta-feira (21/1), que aprovou um plano de negócios que deve permitir à empresa antecipar a saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.

O novo plano prevê aportes financeiros e ajustes operacionais. A expectativa da Azul é a de que o processo seja concluído em fevereiro deste ano.

Segundo comunicado ao mercado divulgado pela Azul, haverá um aporte adicional de US$ 100 milhões (cerca de R$ 538 milhões, pela cotação atual), o que deve permitir à companhia sair do processo de forma antecipada.

Com isso, o volume total de recursos que a Azul deve captar subiria de US$ 850 milhões para US$ 950 milhões, incluindo o novo aporte. Para a companhia aérea, o plano assegura que a empresa sairá da recuperação judicial nos EUA “significativamente mais saudável” e com menor endividamento.

Nova oferta pública de ações

A Azul informou ainda que deve realizar uma nova oferta pública de ações para buscar a captação de até US$ 950 milhões.

Uma oferta pública de ações é o processo por meio do qual uma empresa vende suas ações ao público para captar recursos e abrir capital. Em linhas gerais, a operação permite que investidores comprem “partes” da empresa e se tornem sócios, com o objetivo de financiar sua expansão e reduzir dívidas.

Os papéis devem ser emitidos com desconto de 30% em relação ao valor da empresa definido no plano de recuperação judicial. A projeção da Azul é a de que haja uma diluição aproximada de 80% de sua base acionária atual.

Ações em queda

As ações da Azul negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) registravam forte queda no pregão desta quarta-feira.

Por volta das 11h40 (pelo horário de Brasília), os papéis da companhia aérea tombavam 11,34%, cotados a R$ 12,28.

Azul em recuperação judicial

No dia 12 de dezembro do ano passado, a Azul informou ao mercado que a Justiça dos EUA aprovou o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa no âmbito do Chapter 11 – mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil. Segundo a companhia, a proposta recebeu mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores habilitados a votar.

Com a confirmação do plano, a Azul avança no processo iniciado em maio deste ano, quando ingressou com o pedido na Justiça norte-americana para reorganizar suas obrigações financeiras. A empresa foi a última, entre as principais companhias aéreas brasileiras, a recorrer ao Chapter 11.

De acordo com a Azul, a reestruturação prevê uma redução superior a US$ 3 bilhões em dívidas, além de cortes em obrigações relacionadas a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros anuais e custos recorrentes da frota.

Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que o plano aprovado inclui acordos comerciais e alterações em contratos de leasing de aeronaves, medidas que, segundo a avaliação da própria companhia, ampliam a flexibilidade financeira no longo prazo e criam condições para um crescimento considerado sustentável após a saída do processo.

Outro ponto central da reestruturação é a previsão de uma oferta pública de ações que pode alcançar até US$ 950 milhões. A operação está dividida em etapas e envolve, entre outros aspectos, a conversão de créditos de determinados credores em participação acionária na empresa.

No fim de maio de 2025, a Azul entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA, por meio do Chapter 11. A empresa optou pelos EUA por considerar a legislação do país mais flexível e também porque a maioria de seus credores é estrangeira – e grande parte dos contratos com os fornecedores têm como foro o estado de Nova York.

Segundo as estimativas da Azul, a saída da recuperação judicial deve ocorrer já no início deste ano. Com Metrópoles.

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