Hamid Siddiqi

Muita gente aproveita a pausa do cafezinho para beber um copo de água vinda do bebedouro do escritório, da escola ou de um local público. A percepção comum é de que essa água é mais pura ou mais segura do que a da torneira — afinal, ela passa por filtros e sistemas de resfriamento.

No entanto, uma revisão científica publicada em 2025 na revista AIMS Microbiology aponta que essa confiança pode estar equivocada.

Pesquisadores da Universidade Loma Linda, na Califórnia, analisaram cerca de 70 estudos sobre a qualidade microbiológica de máquinas dispensadoras de água e concluíram que esses equipamentos muitas vezes apresentam níveis mais altos de contaminação bacteriana do que a água que os abastece diretamente.

Foi identificada a presença de microrganismos oportunistas, como a bactéria Pseudomonas aeruginosa — associada a infecções em pessoas com sistema imunológico fragilizado — e coliformes, que sinalizam contaminação fecal.

A pesquisa buscou compilar e avaliar rigorosamente trabalhos científicos de diferentes partes do mundo para entender se o hábito de consumir água de bebedouros realmente confere um benefício de saúde — ou, pelo contrário, apresenta riscos subestimados.

Como a contaminação acontece e o que os estudos mostram

Os bebedouros podem ser de dois tipos: aqueles conectados diretamente à rede de abastecimento (ponto de uso) e aqueles abastecidos por garrafões ou água.

Muitas dessas máquinas incluem filtros, sistemas de osmose reversa, carvão ativado ou luz ultravioleta com a intenção de melhorar o sabor e reduzir impurezas.

No entanto, os pesquisadores encontraram um padrão preocupante: diversos estudos relatam que, mesmo com esses sistemas, os níveis de bactérias dentro das máquinas são frequentemente maiores do que na água fornecida pela rede municipal.

Esse problema está ligado principalmente à formação de biofilmes — finas camadas de bactérias que se acumulam dentro dos tubos, filtros e saídas dos bebedouros e resistem a limpezas superficiais.

Essas comunidades bacterianas podem se desenvolver rapidamente, reaparecendo em poucos dias mesmo após higienizações. Segundo os cientistas, até 80% das amostras de bebedouros analisadas excederam os limites de segurança bacteriana recomendados, enquanto amostras de água da torneira se mantiveram dentro dos padrões aceitáveis.

Como beber água com mais segurança

Os autores da revisão enfatizam que é preciso elevar a vigilância e melhorar a manutenção dessas máquinas para reduzir os riscos microbianos. Entre as ações recomendadas, estão:

  • Higienização frequente e correta dos componentes internos dos dispensers, preferencialmente por técnicos qualificados.
  • Troca regular de filtros de acordo com as especificações dos fabricantes e normas sanitárias.

O simples fato de a água de um bebedouro conter mais bactérias não significa necessariamente que toda pessoa saudável ficará doente ao consumi-la.

Ainda assim, níveis elevados de microrganismos representam um risco real, especialmente para grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com defesas imunológicas enfraquecidas.

A presença de coliformes ou de bactérias oportunistas em água potável não tratada adequadamente pode facilitar a transmissão de doenças de veiculação hídrica, que continuam sendo um problema de saúde pública global.

Outro ponto destacado pela revisão é que, enquanto a água da rede é constante monitorada por agências reguladoras em muitos países, os bebedouros não estão sujeitos à mesma supervisão rigorosa.

Isso significa que muitos bebedouros de ambientes de trabalho, escolas e hospitais podem passar anos sem inspeção técnica adequada de higiene ou troca de filtros.

Com informações de Metrópoles.

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