Um ato organizado por movimentos de esquerda na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na tarde dessa quinta-feira (8/1), terminou em pancadaria após políticos bolsonaristas invadirem a manifestação. Veja vídeo:

O protesto ocorreu no dia em que os ataques golpistas que destruíram as sedes dos Três Poderes completaram três anos. A pauta principal foi a derrubada do PL da Dosimetria — aprovado pelo Congresso Nacional e vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —, que reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado.

O ex-deputado estadual Douglas Garcia (União Brasil) e os vereadores Rubinho Nunes (União-SP) e Malcon Mazzucatto (União-SP) compareceram ao ato e acabaram entrando em confronto físico com os manifestantes.

“Fui na USP e desmenti o 8 de Janeiro da esquerda. No final fomos agredidos”, escreveu Rubinho Nunes nas redes sociais. O bolsonarista compartilhou uma série de vídeos que mostram as agressões. “Essa é a “esquerda do amor” fazendo “ato pela democracia” na USP”, afirmou o vereador.

O ex-deputado Douglas Garcia publicou vídeos e fotos em que ele aparece dando um soco no rosto de um manifestante. “Esquerdista foi me agredir na USP e apanhou”, escreveu. Veja vídeo que mostra o bolsonarista trocando socos com manifestantes:

Em vídeo gravado na entrada da Faculdade de Direito, Douglas afirmou que foi atacado e apenas se defendeu. “Chegaram a rasgar minha camisa, me deram um murro e eu devolvi, obviamente, porque ninguém é de ferro. “Vieram pra cima e tomaram aquilo que eles estavam procurando”, pontuou.

A manifestação foi convocada pelos grupos Frente Brasil Popular e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Partido dos Trabalhadores (PT), Prerrogativas, Graúna e Centro Acadêmico XI de Agosto. Até a última atualização desta reportagem, os movimentos não haviam se manifestado sobre a confusão.

PL da Dosimetria

  • O Projeto de Lei da Dosimetria estabelece a redução de penas para condenados por envolvimento nos atos golpistas.
  • Pela proposta, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por chefiar um plano golpista após a derrota nas eleições de 2022, poderia ter a pena reduzida para cerca de 2 anos em regime fechado.
  • Com o veto de Lula, a matéria volta para o Congresso, que vai definir se derruba ou mantém o veto.
  • Segundo o texto aprovado no Parlamento, em caso de condenações por mais de um dos crimes contra instituições democráticas listados no Código Penal, deverá permanecer a pena mais severa, não podendo mais ter a cumulatividade de tempo de reclusão.
  • A pena poderá ser reduzida em dois terços se os crimes forem cometidos em contexto de multidão — desde que o condenado não tenha exercido papel de liderança ou de financiador.
  • Condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, mesmo em casos de reincidência, terão direito à progressão de regime se tiverem cumprido ao menos um sexto da pena.

Lula veta PL da Dosimetria

O 8 de janeiro de 2026 ficou marcado pelo veto presidencial ao PL da Dosimetria. Em ato no Palácio do Planalto, Lula anunciou o veto integral ao projeto para reduzir penas de condenados pelos atos golpistas.

Em discurso, o presidente afirmou que a democracia “não é uma conquista inabalável”. “Ela será sempre uma obra em construção”, completou.

Antes de assinar o veto, Lula disse que a data ficará marcada como “dia de vitória da democracia”. “Vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, os que sempre defenderam a ditadura, a tortura e o extermínio de adversários. Os que planejaram o assassinato do presidente, do vice-presidente e do presidente do TSE. Os que querem privilégio para os super-ricos, os traidores da Pátria, eles foram derrotados. O Brasil e o povo brasileiro venceram”, declarou Lula. Com Metrópoles.

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