
O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23) no inquérito que apura a apreensão de uma arma de fogo registrada em seu nome durante uma blitz de trânsito realizada em Brasília. A oitiva durou cerca de cinco minutos.
Segundo informações apuradas pela imprensa, Bolsonaro confirmou aos investigadores que a pistola estava em sua residência e que decidiu encaminhá-la para manutenção após identificar uma falha no funcionamento do equipamento.
De acordo com o relato apresentado, o ex-presidente teria solicitado ao segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho que verificasse o problema e providenciasse o reparo necessário.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias que levaram a arma a ser encontrada em posse de outra pessoa, dentro de um veículo oficial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), sem a documentação exigida e distante da residência do proprietário.
Defesa alega manutenção da arma
Em manifestação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Bolsonaro sustentou que não houve qualquer irregularidade envolvendo o armamento.
Os advogados afirmam que integrantes da equipe de segurança do ex-presidente retiraram o percussor da arma — peça essencial para o disparo — sem o conhecimento prévio de Bolsonaro. Segundo a defesa, a medida teria sido adotada por precaução, em razão do uso de medicamentos psiquiátricos pelo ex-presidente.
Ainda conforme os advogados, Bolsonaro percebeu recentemente uma falha ao manusear a pistola e decidiu encaminhá-la ao militar exclusivamente para identificação do defeito e posterior manutenção.
Entenda o caso
A arma foi apreendida na madrugada de 15 de junho durante uma blitz realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal. O armamento estava em posse do militar Estácio Leite da Silva Filho, que conduzia um veículo oficial do GSI.
Durante a abordagem, o militar informou aos policiais que a pistola seria levada para reparo e posteriormente devolvida ao proprietário. Após consulta, os agentes constataram que a arma estava registrada em nome de Jair Bolsonaro.
A defesa também argumenta que, apesar da condenação relacionada ao processo por tentativa de golpe de Estado, não existe decisão judicial determinando a entrega das armas registradas em nome do ex-presidente ou o cancelamento de seus registros, motivo pelo qual sustenta a legalidade da posse do armamento.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal.







