
O Bradesco trabalha com uma expectativa de dez ofertas de ações no mercado brasileiro em 2026, sendo pelo menos um IPO, afirmou nesta terça-feira (7) o vice-presidente executivo Bruno Boetger, responsável pela área de banco de Atacado da instituição financeira.
“Desses 10, tem no ‘pipeline’ ofertas grandes e pequenas”, afirmou o executivo, estimando um volume de R$ 15 bilhões dessas ofertas, mas sem detalhar setores ou nomes, em conversa com jornalistas durante o 12º Annual Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco em São Paulo.
Boetger destacou que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã é o principal risco no mercado, em razão da volatilidade adicional, além do impacto nos preços do petróleo e seus reflexos para inflação e juros.
Mas Boetger ressaltou que, mesmo com o conflito no Oriente Médio, o fluxo de estrangeiros para o mercado de ações brasileiro não parou. “É o que tem sustentado o Ibovespa em torno de 187 mil, 188 mil pontos.”
Na visão do executivo, a eleição de outubro no Brasil não é a principal preocupação hoje da bolsa. “Não é um tema que impacta o mercado hoje”, afirmou, acrescentando que ainda é cedo. “Tem muita água para correr.”
No caso do mercado de renda fixa, que inclui por exemplo dívida de empresas, ele destacou que há uma seletividade maior, com gestoras reavaliando o preço, volumes, após “eventos corporativos” e devido ao atual cenário geopolítico. “O mercado está mais seletivo.”
O executivo não especificou esses eventos corporativos que afetaram o sentimento de investidores, mas no começo deste ano o noticiário incluiu pedido de recuperação extrajudicial da Raízen para reestruturar dívidas de R$ 65 bilhões e GPA firmou acordo com credores envolvendo R$ 4,5 bilhões. Enquanto isso a Braskem está avaliando a possibilidade de buscar uma tutela cautelar contra a cobrança de credores para evitar uma reestruturação da dívida.
Boetger calcula em torno de R$ 550 bilhões de emissões para o ano todo, comparado com R$ 740 ano passado. “Um mercado menor que o ano passado, mas lembrando que o ano passado foi um ano histórico”, pontuou.
O executivo também observa um mercado externo de dívida brasileira mais seletivo. “Tem uma busca maior por emissões ‘high grade’ ou ‘investment grade’, e um desafio maior para nomes ‘high yield’.”
Ele ainda ponderou que esse mercado também é sensível às janelas e às eleições.
“Achamos que o mercado vai ser concentrado no primeiro semestre. Vai ter um ano um pouco mais curto por causa das eleições. Estimamos US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões de emissão esse ano, contra US$ 36 bilhões no ano passado.”
Com informações da CNN Brasil.







