
“Estamos lidando com um monstro”, a declaração é da promotora Deb Ryan sobre o histórico de violência do brasileiro Danilo Cavalcante, de 32 anos, que está há dias fugindo da polícia americana e espalhando pavor entre moradores do Condado de Chester, na Pensilvânia, nos EUA. A declaração não é uma frase de efeito. Ela está se referindo à ferocidade e a força descomunal do fugitivo que ficam claras a partir da descrição do crime, cuja denúncia a CNN teve acesso. A então namorada dele, a também brasileira Deborah Brandão, estava do lado de sua casa com os filhos em abril de 2021 quando Danilo chegou, de repente, a agarrou pelo cabelo, “jogou no chão e a esfaqueou 38 vezes em praticamente todos os órgãos vitais fazendo com que ela sangrasse até a morte”.
A promotora destacou, em entrevista ao Fantástico, que é preciso muita força para deixar uma cena de crime que ele deixou para trás. A filha de Deb disse que ele já tinha ameaçado a mãe antes e há relatos de que ela já tinha sido vítima de violência doméstica. Cercado pela polícia, Danilo dá mostras de que não pretende se entregar e, mesmo tendo sido flagrado algumas vezes por câmeras, tem conseguido se safar da caçada, embrenhando-se por uma área de mata e possivelmente invadindo imóveis vazios. Ele fugiu da penitenciária de Chester County no dia 31 de agosto e, desde então, tem driblado os policiais, inclusive recentemente voltou a ser avistado com a aparência modificada.
Quando matou a namorada, num crime de grande repercussão local, Danilo foi rapidamente capturado por um cerco policial. A promotora contou, ao programa da TV Globo, que ele já tinha exibido toda sua personalidade violenta quando, antes de matar Débora, mordeu seus lábios e depois a agrediu com socos. “Em junho de 2020, ele mordeu os lábios dela até o sangue jorrar. Em dezembro, no Natal, ele chutou o corpo dela no chão repetidamente, pegou uma faca e ameaçou matá-la”, revelou a promotora ao programa. Quatro meses antes de morrer, assustada, Deborah havia conseguido uma medida protetiva para que o ex-namorado não pudesse se aproximar dela. Não adiantou.
O crime foi na frente da filha de 7 anos e do filho de 2. O comportamento da menina, logo após a morte da mãe, foi considerado decisivo para evitar que Danilo escapasse das autoridades. A filha de Deborah afirmou, ainda segundo a CNN, que o brasileiro chegou à casa da família dizendo que “ia fazer algo ruim”. Em seguida, ele tirou duas facas de uma bolsa preta que estava atrás de suas costas. A menina disse que estava gritando, e Cavalcante jogou uma pedra que acertou a perna dela. Após correr para o vizinho, a criança o viu fugindo em um carro preto.
Segundo a promotora do distrito, a menina testemunhou no caso e “ajudou a obter justiça para sua mãe”. A criança identificou Cavalcante em uma foto logo após o assassinato, e disse à polícia: “É ele, é o homem que matou a minha mãe. Por favor, peguem ele e o coloquem na prisão”.
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A periculosidade de Danilo mudou o cotidiano do Condado de Chester, que está em alerta. Está claro para os policiais que o fugitivo não em intenção de se entregar, muito pelo contrário. A desconfiança é que, assim como pretendia após o assassinato de Deborah, ele tente atravessar para o México e, de lá, voltar ao Brasil. Aqui, ele é acusado de outro assassinato no Tocantins, em 2017.
As últimas informações são de que ele tentou contato com um antigo amigo de trabalho, mas o homem informou à polícia sobre a tentativa de Danilo de encontrá-lo. Ao mesmo tempo, a irmã do criminoso, que também vive nos EUA, foi presa. A polícia da Pensilvânia informou, em entrevista coletiva no domingo à tarde, que ela foi detida pelo órgão de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, da sigla em inglês) porque estava em situação irregular no país e vai enfrentar um processo de deportação.
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— Ele agora está tentando obter apoio de pessoas conhecidas — disse George Bivens, vice-comissário de operações da Polícia Estadual da Pensilvânia, durante a entrevista.
Bivens foi questionado, especificamente, se a irmã de Cavalcante tinha sido presa e que enfrentaria processo de deportação.
— Está correto — respondeu Bivens.
Cavalcante se estabeleceu no condado de Chester porque tinha uma irmã e amigos que foram para os EUA antes dele. Ele trabalhou por um tempo na construção civil e alugou um trailer para morar em um estacionamento em East Pikeland Township.
Mudança de aparência e van roubada
No domingo, as autoridades locais divulgaram novas imagens do foragido. Ele agora está sem barba, usava um agasalho esverdeado e boné. Danilo usou uma van roubada para se locomover. O veículo foi abandonado e já recuperado pelas autoridades locais.
O local deste novo flagra foi cerca de 40 km fora da zona de busca original, o que significa que o brasileiro já percorreu um longo trajeto. A polícia disse, inicialmente, não saber como ele conseguia percorrer uma distância tão longa, mas acredita que ele pode estar usando um veículo branco, tendo confirmado, mais tarde, que ele estava em posse de uma Ford Transit branca 2020, placa registrada na Pensilvânia (ZST-8818) e com “uma unidade de refrigeração na parte superior”. O veículo também foi apreendido.
Na tarde de sexta-feira, a busca havia se concentrado na área ao redor de um amplo jardim botânico onde Danilo Cavalcante foi visto por duas vezes. O número de policiais em busca de do brasileiro, que escapou da prisão do condado de Chester em 31 de agosto, cresceu para quase 400, com vários helicópteros circulando e autoridades fechando abruptamente estradas em uma área próxima a Longwood Gardens.
Em entrevista coletiva na manhã de sexta-feira em um posto de comando temporário, instalado em um quartel de bombeiros na cidade de Unionville, o tenente-coronel George Bivens, da Polícia Estadual da Pensilvânia, disse estar “otimista” de que a busca desgastaria Cavalcante e que as autoridades o capturariam quando inevitavelmente cometesse um erro.
Mas Bivens também alertou que Cavalcante, que fugiu do Brasil depois de supostamente ter cometido um assassinato em 2017, “não era estranho às dificuldades” e já havia sido alvo de uma caçada humana antes.







