
A suspeita de envolvimento de um policial militar no sequestro de um empresário em Manaus levou o Ministério Público do Amazonas (MPAM) a deflagrar, na noite desta sexta-feira (17), a operação Prova Viva, que resultou na prisão preventiva de um cabo da Polícia Militar. O militar é investigado por supostamente participar do sequestro do empresário Roberth Igor Santos Sousa, de 32 anos, ocorrido no último dia 14 de julho, na Zona Norte da capital.
A prisão foi considerada um dos principais desdobramentos das investigações conduzidas pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp), em conjunto com a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), com apoio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e do Departamento de Justiça e Disciplina da Polícia Militar (DJD/PMAM).
O cabo da PM foi preso preventivamente ao chegar para assumir o serviço na 12ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). Além da prisão, a operação cumpriu três mandados de busca e apreensão autorizados pela 3ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontam que o empresário teria sido sequestrado e posteriormente entregue a integrantes de uma organização criminosa para ser submetido ao chamado “tribunal do crime”, prática utilizada por facções para julgar e punir pessoas consideradas suspeitas de desrespeitar regras impostas pelo grupo criminoso.
Conforme a apuração, após integrantes da facção realizarem uma averiguação interna e concluírem que as acusações contra o empresário não procediam, a vítima foi libertada. O caso, entretanto, continua sendo investigado para esclarecer quem participou da ação, quais foram as motivações do sequestro e se havia intenção de executar o empresário.
Roberth Igor Santos Sousa foi sequestrado enquanto dirigia uma BMW verde na rua Francisca Mendes, no conjunto Canaranas, Zona Norte de Manaus. Após ser libertado, ele compareceu à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde prestou depoimento e forneceu informações que passaram a integrar o inquérito.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, as equipes apreenderam armas de fogo cuja regularidade documental não foi comprovada de imediato, além de quantias em dinheiro que poderão ser analisadas para verificar eventual relação com os fatos investigados.
De acordo com o promotor de Justiça Amando Gurgel Maia, as investigações seguem em andamento e não estão restritas ao policial preso. O objetivo agora é identificar a possível participação de outros envolvidos, além de submeter todo o material apreendido à perícia técnica para aprofundar a apuração.
O MPAM informou que parte das diligências permanece sob sigilo para preservar a eficácia da investigação e garantir a responsabilização de todos os envolvidos, caso as suspeitas sejam confirmadas.







