
O caos no sistema público de saúde no município do Iranduba continua arrastando centenas de famílias a filas intermináveis.
O congestionamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS), reflete o brutal descaso e a falta de compromisso do poder publico municipal com os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
A saúde no município é precária no sentido literal da palavra. Além da carência de profissionais médicos, a população padece flagrantemente com falta de equipamentos, como raio x, por exemplo, medicamento e, sobretudo, respeito.
Na última terça-feira (20), a gravidade na área da saúde da cidade foi exposta, em vídeo, por um morador de Iranduba que levou uma colega de trabalho, vítima de acidente, ao Hospital Hilda Freire.
Indignado com a falta de médicos e a quantidade de pessoas aguardando atendimento nos corredores, ele classificou a situação como uma “calamidade pública”.
“A gente não sabe a quem pedir socorro. Os vereadores, que eram para estar aqui, não estão. Cadê o prefeito? Cadê a secretária de Saúde”, indaga.
Mesmo com o orçamento ampliado de mais de R$ 68 milhões para a saúde, em 2026, problemas estruturais e a falta de equipamentos e medicamentos, o sistema continua ineficiente e desastroso para a população.
As denúncias ganham peso quando analisadas pelos números oficiais.
Dados das Leis Orçamentárias Anuais mostram que, em 2023, ainda no primeiro mandato do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil), o orçamento global do município era de mais de R$ 162,3 milhões [R$ 162.360.962,09]. Dois anos depois, em 2025, esse valor saltou para quase R$ 300 milhões [R$ 298.925.312,03], um crescimento de R$ 136,5 milhões ou cerca de 84%. Para 2026, a Prefeitura de Iranduba detém um orçamento ainda maior, de mais de R$ 350,1 milhões [R$ 350.193.899,00], o que consolida uma expansão acumulada de mais de R$ 187 milhões em quatro anos. Uma alta superior a 115%.
O orçamento municipal cresce em paralelo à ampliação dos recursos da saúde.
Em 2023, antes da atual gestão da Semsa, a pasta contava com pouco mais de R$ 34 milhões [R$ 34.017.377,84]. Mas em 2025, primeiro ano sob a administração de Luana Ferraz, a verba do órgão subiu para mais de R$ 54,1 milhões [R$ 54.111.947,65], um aumento de R$ 20,09 milhões, equivalente a mais de 59%. Para 2026, a Lei Orçamentária, Anual prevê R$ 68.202.974,34 para a saúde, representando um novo acréscimo de 26% em relação a 2025 e uma alta acumulada de 100,5% em comparação a 2023. O orçamento da pasta mais que dobrou em quatro anos.
Em 2025, a Semsa também ganhou reforços adicionais, com R$ 6,5 milhões em créditos suplementares para o Fundo Municipal de Saúde. Dinheiro do SUS compensado por emendas parlamentares da União nos valores de R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões e R$ 3 milhões [R$ 3.000.055,00].
No ano passado, o município ainda contratou R$ 44 milhões em empréstimos junto ao Banco do Brasil. Foram R$ 29 milhões para a construção, reforma e revitalização de feiras e mercados e R$ 15 milhões para o financiamento de despesas de capital previstas no Plano Plurianual (PPA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA). Essas operações de crédito ampliam a margem fiscal da Prefeitura de Iranduba e permitem maior flexibilidade para a autorização de mais recursos na LOA, que inclui áreas como a saúde.
O aumento do orçamento municipal, o crescimento dos recursos da Semsa e a persistência de problemas básicos na rede pública levantam questionamentos dos moradores sobre a competência da gestão, a prioridade nos investimentos e a execução da verba pelo órgão.
Especialistas em contas públicas ressaltam que a manutenção de gargalos, como filas, demora no atendimento e falta de equipamentos nas unidades de saúde, comprova a necessidade de transparência ampliada, fiscalização permanente e prestação detalhada de contas pela Prefeitura de Iranduba sobre como os recursos estão sendo aplicados na área.







