Thayane Smith e Roberto Farias Thomaz no topo do Pico Paraná, no dia 1º de janeiro, durante a subida que antecedeu o desaparecimento do jovem na descida da trilha.

A amazonense de Itacoatiara, Thayane Smith Moraes, de 19 anos, tornou pública nesta quinta-feira (8) uma carta escrita à mão na qual revela que subiu o Pico Paraná sem autorização oficial, em uma tentativa desesperada de encontrar Roberto Farias Thomaz, também de 19 anos, que ficou desaparecido por cerca de cinco dias e acabou sendo localizado com vida.

A carta foi compartilhada nos Stories do Instagram e detalha que a subida ocorreu na madrugada de sábado (3), por volta das 4h, após contatos mantidos via WhatsApp com um grupo de corredores que estava acampado próximo ao contêiner branco da base da trilha. Segundo Thayane, a decisão foi tomada de forma individual, sem aval do Corpo de Bombeiros, que conduzia as buscas oficiais.

“Eu subi o Pico Paraná atrás do Roberto. Tomei essa decisão por conta própria. Eles estão apenas me ajudando a ir atrás dele. Eu sou a única que sabe o que aconteceu, eu fui a última a ver ele”, escreveu a jovem, em um dos trechos mais fortes do relato.

Na carta, assinada às 00h55 do dia 3 de janeiro de 2026, Thayane admite que deixou Roberto para trás durante a descida e afirma que retornou à montanha com a convicção de encontrá-lo. “Eu deixei ele pra trás, e eu vou trazer ele de volta. Espero que me entendam”, diz o texto, no qual Thayane afirma que aquela seria sua última postagem sobre o caso do Pico Paraná.

Antes da divulgação da carta, Thayane também havia publicado vídeos e registros da subida ao Pico Paraná ao lado de Roberto, incluindo imagens do casal no topo da montanha celebrando o primeiro amanhecer de 2026 e registros em uma barraca durante o acampamento. As publicações, feitas na quarta-feira (7), foram apagadas posteriormente.

Roberto Farias Thomaz foi encontrado vivo dias depois, após uma mobilização que envolveu equipes de resgate e voluntários.

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