Benício Xavier entra caminhando no Hospital Santa Júlia acompanhado dos pais; a criança morreu horas depois, após complicações decorrentes de erro de medicação.

A reportagem do Fantástico exibida neste domingo, 07, sobre o caso Benício Xavier, um menino de apenas seis anos de idade, que no dia 22 de novembro morreu no Hospital Santa Júlia, em Manaus, vítima de suposto erro médico, escandalizou e chocou com pungente dor o Brasil inteiro.

Escandalizou pela tosca bizarrice médica que tirou a vida do menino, que apresentava quadro de laringite, com três sessões de adrenalina intravenosa.

Chocou pelas imagens exibidas pela reportagem de um menino – passos largos, braços agitados – aparentemente saudável e contestador, caminhando ao lado dos pais nos corredores da Santa Júlia, clínica das mais conceituadas de Manaus, na direção do consultório da médica Juliana Brasil Santos, prescreveu ao paciente adrenalina pura, não diluída, aplicada na veia, em três doses que somavam 9 miligramas.

Chocou, ainda, pela vergonha do “amadorismo” médico exposto pela reportagem da revista eletrônica dominical da Globo, com depoimentos técnicos que revelam a fragilidade da profissional envolvida e da própria clínica na medida que contrata e escala para seus plantões médicos técnicos que comentem erros primários como se a vida fossem algo sem nenhuma importância.

“Ela (adrenalina na veia) é feita por uma dose muito pequena, proporcional ao peso do paciente e infundida muito lentamente como regra em cenário de terapia intensiva”, declarou ao Fantástico Márcio Moreira, médico pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein.

Segundo o profissional, a adrenalina é indicada para inalação em quadros leves e a versão em situações graves, como paradas cardiorrespiratórias, e administrada em doses muito pequenas, lentamente, geralmente na terapia intensiva.

“Percebe-se um erro estrutural e sequencial de protocolo e de cuidados. O Benício não teve chance. Tanto a médica quanto o farmacêutico de plantão deveriam fazer checagem dupla da prescrição e não fizeram”, comentou Marcelo Martins, delegado responsável pelo caso.

Suspensão e defesa da técnica de enfermagem

Raíza Bentes, técnica de enfermagem há apenas sete meses, foi suspensa pelo Conselho Regional de Enfermagem e responde em liberdade.

Ela se defendeu:

“Eu administrei conforme a prescrição médica. Não tive auxílio, estava sozinha.”

Sua defesa disse que só irá se manifestar ao fim das investigações.

Médica alega falha no sistema — hospital nega

A médica Juliana Brasil Santos foi afastada. À Justiça, apresentou um vídeo dizendo que o sistema eletrônico teria trocado automaticamente a adrenalina por inalação pela adrenalina intravenosa.

O superintendente de TI do hospital, João Alexandre de Araújo, desmentiu categoricamente:

“Sem ação do médico, o sistema não faz nada de forma automatizada.”

“Podemos garantir que não houve erro do sistema.”

A médica obteve habeas corpus preventivo e responde em liberdade. Seu advogado, Felipe Braga, disse:

“Houve multiplicidade de fatores… ausência de farmacêutico, quebra de checagem… Eu não considero que ela errou.”

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