Yuichiro Chino/ Getty Images

Diariamente, o cérebro é bombardeado por uma infinidade de estímulos, mas apenas uma fração deles se transforma em lembranças duradouras. Longe de ser aleatório, esse processo de seleção é guiado por critérios biológicos e psicológicos complexos, onde emoções, nível de atenção, qualidade do sono e até situações de estresse desempenham um papel crucial.

A formação da memória acontece em fases: primeiro, a experiência é captada; em seguida, ela precisa ser fortalecida para se manter a longo prazo. Informações menos relevantes são rapidamente descartadas, pois o cérebro prioriza o que contribui para a aprendizagem e adaptação, evitando a sobrecarga e mantendo o foco no que é mais útil.

Como o Cérebro Seleciona o Que Lembrar

Para decidir quais lembranças merecem ser guardadas, o cérebro utiliza alguns critérios fundamentais:

  • Emoção: Situações que provocam medo, alegria intensa ou forte conexão afetiva ativam regiões cerebrais ligadas à relevância. A neuropsicóloga Leninha Wagner, de Florianópolis, explica que “o cérebro privilegia aquilo que conversa com a nossa história interna. Emoções, contexto e repetição funcionam como códigos que informam o que merece atravessar do registro momentâneo para a memória mais estável”.
  • Atenção: Quando há foco total em um acontecimento, o cérebro organiza melhor as informações, reforçando a lembrança. Em momentos de distração, seja por pressa, multitarefas ou excesso de estímulos, a formação da memória tende a falhar.
  • Experiências Negativas/Risco: Episódios negativos ou associados a perigo tendem a ser gravados com mais detalhes. Em situações de tensão, o organismo libera substâncias que intensificam esse registro, um mecanismo que era vital para a sobrevivência e hoje explica a persistência de memórias difíceis.

A Memória Não é Fixa: Ela Evolui

Contrariando a ideia de que as lembranças são estáticas, o cérebro as atualiza a cada vez que são acessadas. Nesse processo, ele reabre o registro, reorganiza informações e preenche lacunas com elementos do presente. Essa flexibilidade, segundo o psicólogo André Sena Machado, do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, não é um defeito, mas uma característica adaptativa fundamental. “A memória nasceu como uma ferramenta de adaptação. Reconstruir partes de uma lembrança era mais útil do que manter cada detalhe fixo”, afirma André.

Hábitos Para Fortalecer a Memória

Alguns comportamentos diários podem otimizar a formação de memórias duradouras:

  • Sono Adequado: Uma noite de sono reparador permite que o cérebro organize e transfira informações para regiões mais estáveis do córtex.
  • Repetição Distribuída: Estudar ou revisar informações em intervalos regulares ajuda a firmar as conexões neurais, facilitando a recuperação do conteúdo.
  • Redução de Multitarefas: Evitar a distração e a sobrecarga de estímulos digitais é crucial, pois interrupções prejudicam a consolidação da memória, resultando em lembranças fragmentadas.

Compreender como o cérebro seleciona e processa nossas experiências pode nos ajudar a otimizar a forma como aprendemos e lembramos, tornando o processo mais eficiente e menos suscetível à sobrecarga.

Com informações de Metrópoles

Artigo anteriorIndicado ao STF, Jorge Messias envia carta a Davi Alcolumbre e se coloca à disposição para escrutínio antes da sabatina no Senado
Próximo artigoInternacional e Santos travam duelo decisivo na luta contra rebaixamento