Em poucos dias à frente do Governo do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil) imprimiu um ritmo acelerado à gestão interina e adotou uma série de medidas que misturam resposta rápida a crises, sinalizações políticas e ações de impacto direto na população.

A condução inicial do governo tem sido marcada por decisões estratégicas voltadas à estabilidade administrativa e à construção de uma imagem de controle e eficiência em meio ao cenário de transição no Estado.

Uma das primeiras medidas foi a determinação de suspender contratos e pagamentos a empresas ligadas à sua família, numa tentativa de afastar questionamentos e reforçar o discurso de transparência. A iniciativa teve efeito imediato no meio político ao sinalizar independência na condução do Executivo.

Na área mais sensível da gestão, a educação, o governo interino enfrentou já na largada o risco de paralisação da rede estadual. A articulação para garantir o restabelecimento do plano de saúde dos servidores evitou a suspensão das aulas e funcionou como um teste inicial de governabilidade, reduzindo tensões com a categoria.

Ao mesmo tempo, Cidade buscou dar visibilidade a ações de cunho social e institucional. Entre elas, a inauguração de um centro voltado ao atendimento de jovens com transtorno do espectro autista, ampliando a rede de assistência especializada no Estado, e a entrega de óculos a estudantes e pessoas em situação de vulnerabilidade, dentro de um programa mais amplo de saúde visual.

A agenda também incluiu movimentos institucionais, como a posse de novos defensores públicos e a nomeação da nova reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), reforçando a estrutura de órgãos considerados estratégicos para o funcionamento do Estado.

No campo administrativo, Cidade adotou ainda uma medida simbólica ao optar por não acumular salários. Mesmo ocupando interinamente o cargo de governador, decidiu manter apenas a remuneração de deputado estadual, abrindo mão do vencimento do Executivo — gesto alinhado ao discurso de contenção de despesas.

O conjunto de ações, somado ao ritmo intenso de agendas e anúncios, tem reposicionado o governo interino e ampliado a presença política de Cidade em um momento decisivo. A poucos dias da eleição indireta, marcada para 4 de maio, o atual chefe do Executivo desponta como favorito para permanecer no comando do Estado até o fim do mandato.

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