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Pesquisadores da Nagoya University, no Japão, identificaram um novo mecanismo por trás da constipação crônica. Em um estudo publicado na última quarta-feira (18/2), na revista Gut Microbes, eles sugerem que, em alguns casos, o problema não está apenas no intestino “preguiçoso”, mas nas bactérias que vivem ali.

Segundo os cientistas, duas bactérias conseguem destruir a camada de muco que reveste o intestino grosso. Essa camada é importante porque mantém as fezes úmidas e facilita a evacuação. Quando ela é degradada, as fezes ficam mais secas e duras, dificultando a eliminação.

O que acontece no intestino

O intestino possui uma proteção natural chamada mucina — uma espécie de gel que recobre a parede intestinal. Ela evita irritações e ajuda o bolo fecal a deslizar até a eliminação.

O estudo mostrou que duas bactérias trabalham juntas contra esse processo: a Bacteroides Thetaiotaomicron, que inicia a quebra da mucina ao retirar componentes que protegem essa substância, e a Akkermansia muciniphila, que consome o muco que ficou exposto.

Sem essa proteção, as fezes perdem água e se tornam mais rígidas. Isso pode levar a um tipo de condição que os pesquisadores chamaram de “constipação bacteriana”.

A descoberta ajuda a explicar por que algumas pessoas não melhoram mesmo usando laxantes. Se o problema estiver na destruição do muco intestinal, apenas estimular o movimento do intestino pode não resolver.

Mas quando os cientistas bloquearam a enzima usada pela bactéria para degradar o muco em testes com camundongos, a constipação não se desenvolveu. Isso indica que, no futuro, medicamentos podem ser criados para agir diretamente nesse mecanismo.

Relação com outras doenças

Os pesquisadores também observaram que pessoas com Parkinson costumam ter níveis mais altos dessas bactérias. A constipação é um sintoma comum nesses pacientes e pode aparecer anos antes dos sinais motores da doença.

A descoberta amplia o entendimento sobre como o desequilíbrio da microbiota intestinal pode influenciar a saúde. Os resultados apontam para um novo caminho no tratamento da constipação crônica, focado não apenas no movimento do intestino, mas também nas bactérias que vivem nele.

Com informações de Metrópoles.

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