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domingo, 18 de janeiro de 2026

Cobertura vacinal abaixo de 60% acendem alerta para os riscos de doenças antigas voltarem ao país

Foto: Reprodução Internet

Nesta semana, quatro crianças foram isoladas em Goiânia, capital do Goiás, por suspeita de rubéola. Os casos foram descartados, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde da cidade, porém acenderam o alerta para a baixa cobertura vacinal contra o vírus no país, abaixo de 60% em 2022, e a possibilidade de retorno da doença, que foi eliminada oficialmente em 2015.

As crianças estudam na mesma escola e, após apresentarem sintomas da doença, foram afastadas e tiveram amostras coletadas, que foram analisadas no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do estado. Nesta quarta-feira, os resultados confirmaram não se tratar de casos de rubéola, nem de sarampo ou dengue.

Ainda assim, as suspeitas reacendem uma discussão que tem sido cada vez mais atual no Brasil: as quedas nas coberturas vacinais e os riscos de doenças antigas voltarem a dar as caras por aqui. Foi o caso com o sarampo. O país recebeu o certificado de eliminação em 2016, porém perdeu o status em 2019 após surtos serem registrados novamente.

No caso da rubéola, o documento que atesta que a doença e a síndrome da rubéola congênita – problema que afeta os bebês cuja mãe foi contaminada durante a gravidez – não circulam mais no país foi obtido em 2015. Porém, novos casos não são registrados desde dezembro de 2008, quando o último foi confirmado no Estado de São Paulo. A conquista foi consequência direta do avanço da vacinação.

Naquele ano, ocorreu a “Campanha Nacional de Vacinação para Eliminação da Rubéola”. Na época, segundo relatório do Ministério da Saúde, foi a maior campanha de imunização do Brasil e do mundo em número de doses aplicadas. De agosto a dezembro, foram 67,1 milhões de brasileiros protegidos, uma cobertura acima de 95% do público-alvo mapeado na ocasião.

Os esforços ajudaram ainda a combater o sarampo, uma vez que a vacina utilizada é a tríplice viral que, em duas doses, produz defesas contra caxumba, sarampo e rubéola. Hoje, ela é ofertada no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para crianças com a primeira aplicação aos 12 meses de vida, e a segunda, aos 15. A proteção dura para toda a vida.

No entanto, desde 2014, último ano em que o Brasil atingiu a cobertura vacinal preconizada pelo Ministério da Saúde, acima de 90%, a proporção de crianças protegidas no país vem caindo. De acordo com os números do DataSUS, plataforma de dados da pasta, apenas 56,5% do público-alvo completou a imunização com as duas doses em 2022. Em relação a apenas a primeira aplicação, o percentual foi de 79,6%.

Em 2019, a cobertura, que havia permanecido abaixo de 80% nos quatro anos anteriores, chegou a subir para 81,5%. Porém, nos dois anos seguintes caiu bruscamente para 64,3% e 53,2%. Em 2022, subiu em comparação com 2021, porém sem nem alcançar 60% dos pequenos protegidos.

Com O Globo.

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