
O Amazonas confirmou 21 casos de sarampo entre 1º de setembro e 26 de outubro de 2026, com registros concentrados na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Diante da circulação do vírus, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) intensificou a vacinação em quatro municípios do Alto Solimões, incluindo visitas casa a casa, para evitar o surgimento de novos casos e impedir que a doença se espalhe para outras regiões do estado.
A estratégia de imunização contempla os municípios de Tabatinga, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá e São Paulo de Olivença, onde equipes de saúde estão mobilizadas para vacinar pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal, conforme orientação do Ministério da Saúde para a região.
Entre os casos confirmados estão pessoas de nacionalidade brasileira e peruana, incluindo indígenas. A localização dos registros na área de fronteira reforça a preocupação das autoridades sanitárias com a circulação do vírus entre os países e a possibilidade de disseminação da doença.
Vacinação será realizada de casa em casa
Para ampliar a cobertura vacinal, as equipes de saúde estão percorrendo residências e realizando ações em locais de grande circulação de pessoas, como escolas, feiras, portos e estabelecimentos comerciais.
O trabalho é desenvolvido em parceria com as secretarias municipais de Saúde e conta com o apoio dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e da Casa de Saúde Indígena (Casai).
A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, explicou que o objetivo é fortalecer a capacidade de resposta dos municípios diante da confirmação de casos.
“Estamos apoiando os municípios na mobilização das equipes e na capacidade técnica. Facilitar o acesso à vacina é fortalecer a resposta diante da ocorrência de casos na localidade”, destacou.
A vacinação indiscriminada foi definida pelo Ministério da Saúde após a identificação de casos de sarampo na região. A medida busca aumentar rapidamente a proteção da população e interromper a transmissão do vírus.
Dia D de vacinação será no sábado (7)
Outra medida adotada pelas autoridades sanitárias é a realização do Dia D de vacinação contra o sarampo, marcado para o próximo sábado, 7 de novembro.
A mobilização pretende facilitar o acesso à imunização, principalmente para moradores que trabalham durante a semana e não conseguem comparecer às unidades de saúde em horário comercial.
Além do atendimento nos postos, as equipes continuarão desenvolvendo estratégias para alcançar moradores de comunidades e localidades com dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
A profissional Priscila Siqueira, da Gerência Estadual de Imunização da FVS-RCP, que atua em Tabatinga, destacou a importância da busca ativa da população.
“A vacinação casa a casa é uma estratégia decisiva, ampliando o alcance da campanha e assegurando o bloqueio viral”, afirmou.
Vigilância tenta impedir avanço da doença para outras regiões
A preocupação das autoridades de saúde não se limita aos municípios onde foram identificados os casos. A estratégia também busca impedir que o sarampo avance para outras localidades do Amazonas.
O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, reforçou que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção.
“Os casos estão concentrados na região da tríplice fronteira, mas é importante manter sempre a caderneta de vacinação em dia. A vacina está disponível em todas as unidades básicas de saúde”, ressaltou.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar por meio de partículas respiratórias eliminadas por pessoas infectadas. Entre os principais sintomas estão febre, tosse, coriza, irritação nos olhos e manchas avermelhadas pelo corpo.
A doença pode provocar complicações graves, especialmente em crianças pequenas e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Amazonas reforça monitoramento desde fevereiro
Segundo a FVS-RCP, as ações de prevenção e vigilância contra o sarampo no Amazonas começaram a ser reforçadas em fevereiro deste ano, antes mesmo da confirmação do primeiro caso da doença no Brasil em 2026.
Desde então, o órgão vem desenvolvendo atividades em parceria com o Ministério da Saúde, incluindo capacitação de profissionais, treinamento de equipes laboratoriais, monitoramento durante eventos de grande circulação e campanhas de vacinação.
Entre as iniciativas realizadas está o chamado “Dia S”, mobilização voltada à ampliação da imunização contra o sarampo.
A fundação também mantém a divulgação semanal de informes epidemiológicos, com o objetivo de acompanhar a evolução dos casos e orientar a população sobre os riscos da doença.
Com a intensificação da vacinação nos municípios da tríplice fronteira, as autoridades sanitárias esperam ampliar a proteção da população, interromper a circulação do vírus e reduzir o risco de novos casos no Amazonas.







