As recentes operações policiais realizadas no Amazonas mostram que o crime organizado avançou para além das disputas territoriais entre facções e passou a desenvolver estruturas de governança criminal em áreas do Estado. A avaliação é do deputado Comandante Dan (Republicanos), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Para o parlamentar, a Operação Visão Noturna, na Região Metropolitana de Manaus, e a Operação Correntes do Capital, da Polícia Federal, em Manicoré, demonstram diferentes faces do mesmo problema: uso de tecnologia, controle de rotas e territórios e exploração de atividades ilegais para sustentar estruturas criminosas.

“Não estamos mais falando somente de facções disputando territórios. Estamos diante de organizações que vigiam a polícia, controlam rotas, utilizam tecnologia e exploram áreas onde a presença do Estado ainda é limitada. Isso é governança criminal e precisa ser enfrentado como tal”, afirma Dan.

Na Operação Visão Noturna, a Polícia Civil identificou uma estrutura ligada ao Comando Vermelho que utilizava drones, internet via Starlink e vigias para acompanhar a movimentação das forças de segurança e repassar informações aos traficantes. Seis homens foram presos e armas, drones, equipamentos de comunicação e uma embarcação foram apreendidos. A investigação surgiu após a apreensão de cerca de 4,5 toneladas de drogas na região de Iranduba.

Para Comandante Dan, o caso evidencia a necessidade de atualização permanente dos protocolos policiais, com investimentos em inteligência, comunicação segura, tecnologia e monitoramento das rotas fluviais.

Já em Manicoré, a Operação Correntes do Capital investiga desmatamento ilegal, ocupação de terras públicas e exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão. A investigação começou após o resgate de 50 trabalhadores e aponta dano ambiental superior a R$ 179 milhões.

Segundo o deputado, episódios como esse reforçam que o combate ao crime organizado deve considerar também os mercados ilegais que financiam e fortalecem o domínio territorial.

 Ações desde 2023

 Comandante Dan defende desde 2023 um plano emergencial de segurança para o Amazonas, com atuação integrada das forças estaduais e federais e prioridade para as fronteiras, rios e municípios mais vulneráveis. Para ele, o enfrentamento deve começar a partir das fronteiras, impedindo que drogas, armas e recursos das organizações criminosas avancem pelo território amazonense até chegar a Manaus.

Entre suas iniciativas está a defesa da instalação, em Tabatinga, de uma base do Centro de Cooperação Policial Internacional, ampliando o intercâmbio de inteligência na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

O deputado também defende a territorialização da segurança pública, com planejamento específico para as diferentes regiões do Amazonas. A estratégia considera as calhas dos rios, as áreas de fronteira internacional e as faixas de divisa com outros estados como territórios que exigem presença diferenciada das forças de segurança, inteligência, fiscalização e capacidade de resposta compatíveis com as características de cada região.

À frente da Comissão de Segurança Pública da Aleam, o parlamentar também promoveu levantamentos e debates sobre a criminalidade no interior e encaminhou propostas aos governos estadual e federal e ao Congresso Nacional.

Dan ainda atua pela integração das forças de segurança, fortalecimento da segurança fluvial, recomposição dos efetivos, melhoria da estrutura policial, ampliação da inteligência e destinação de emendas parlamentares para as forças de segurança.

“Precisamos combater o crime a partir da fronteira e compreender que cada território do Amazonas exige uma estratégia própria. Segurança pública exige inteligência, integração, presença territorial e planejamento permanente”, conclui Comandante Dan.

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