Jorge Sampaoli Mauro Pimentel/AFP

O jogo contra o Fluminense na última terça-feira se tornou um divisor de águas no Flamengo, e marcou também o primeiro mês com a equipe sob o comando de Jorge Sampaoli. Antes da atuação pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o clima estava pesado e com cobranças por uma resposta mais contundente da equipe e do técnico, que enfim deu sinais de que começa a dar sua cara ao trabalho. Até agora, são quatro vitórias em nove jogos, com dois empates e três derrotas.

As lesões recentes atrapalharam Sampaoli a implementar sua filosofia, mas ela começou nos treinamentos antes de refletir nos jogos. A sensação de que o técnico começou a elevar mais o nível de cobranças nas atividades gerou uma repercussão interna muito forte. Mesmo sem folga, e com treinos até em dias de jogo, a maioria do grupo sinalizou positivamente aos métodos.

Enquanto Vítor Pereira pisou no freio nos treinamentos com medo de vazamentos, Sampaoli adotou estratégia oposta. Acelerou e acumulou horas de trabalho, indicando aos jogadores que tudo que estava sendo treinado serviria para a hora de escolher quem jogaria. Nas conversas entre os atletas, o discurso de que o “careca” estava ligado na tomada coincidia com a certeza de que haveria regras e um trabalho com um norte a seguir.

Além das medidas para dentro de campo, a disciplina com horários e hábitos também ressurgiu no Ninho do Urubu. A preferência pelos treinos matinais em um primeiro momento gerou reação, mas o objetivo era evitar que os atletas terminassem o treino à tarde, tivessem rotina mais desgastante na vida pessoal, e dormissem até o dia seguinte na hora da próxima atividade.

Apesar das lesões que novamente pipocaram no clube, a comissão técnica de Sampaoli procurou ouvir os profissionais do Flamengo e fazer atividades intensas, mas controladas. O diagnóstico após um mês é que o grupo estava mal condicionado desde o começo do ano. Na verdade, desde o ano passado o Flamengo deixou de lado esse tipo de trabalho físico ao ganhar a Libertadores e a Copa do Brasil. Depois de preservar o time nas rodadas finais do Brasileiro, houve ainda período longo de férias, que atrapalhou na pré-temporada, e nas disputas de Supercopa, Mundial, Recopa e Estadual.

O fracasso de Vítor Pereira levou a mudanças e Sampaoli chegou disposto a recuperar peças consideradas em baixa. Sofreu sem poder dar sequência a Gerson, seu ponto de referência para um Flamengo consistente, e que se lesionou nas primeiras semanas. Nesse período, também estava sem Arrascaeta. E agora, perdeu Pedro. O técnico encontrou novas maneiras de organizar o Flamengo a partir de uma defesa mais sólida, com Fabrício Bruno e Léo Pereira como pilares. Thiago Maia e Pulgar se consolidaram em seguida.

Contra o Fluminense, o técnico enfim conseguiu reunir essa força e o talento dos homens de frente, e o time enfim exibiu a competitividade proporcional a sua qualidade. E Sampaoli seu repertório, que pretende diversificar para aproveitar a volta de algumas peças, sem ficar refém de um estilo de jogo e uma só escalação. Domingo, o Flamengo encara o Corinthians, pelo Brasileiro, e tentará provar que a última atuação não foi por acaso.

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