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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, está disposto a se encontrar pessoalmente com o líder russo, Vladimir Putin, em meio às tentativas de destravar as negociações de paz. A sinalização foi reforçada pelo ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andriy Sybiga, nesta terça-feira (27/1), em entrevista ao jornal ucraniano Ukrayinska Pravda.

“É precisamente para resolvê-los (impasses territoriais) que o presidente está disposto a se encontrar com Putin e discutir o assunto”, disse o porta-voz do governo ucraniano.

Sybiga afirmou que um encontro direto entre ambos pode ser decisivo para resolver os pontos mais sensíveis do conflito.

Segundo o chanceler, as conversas de paz avançaram após a retomada da presença dos Estados Unidos no processo diplomático e a realização de uma reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e EUA, em Abu Dhabi, pela primeira vez desde o início da guerra.

Impasses centrais

  • O principal obstáculo segue sendo a disputa territorial no leste da Ucrânia.
  • Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano reconhecido internacionalmente, incluindo áreas das regiões de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.
  • Moscou exige que Kiev abandone formalmente qualquer reivindicação sobre esses territórios, anexados pela Rússia em 2022 após referendos não reconhecidos pela comunidade internacional.
  • A condição é considerada inaceitável pelo governo ucraniano.

Sybiga explicou que o formato das negociações evoluiu e passou a ser mais técnico e objetivo.

Ele destacou uma “mudança qualitativa” na composição da delegação russa, com a ausência de discursos ideológicos e maior foco em temas concretos, como parâmetros para um cessar-fogo, mecanismos de verificação e definições operacionais dos termos negociados.

“As negociações são muito complexas, mas as conversas foram muito focadas”, afirmou o ministro.

Segundo o chanceler, além da via diplomática, há uma frente paralela envolvendo representantes militares e de inteligência dos dois lados, que discutem aspectos práticos para a interrupção das hostilidades. Ainda assim, Sybiga descartou a necessidade de encontros bilaterais entre ministros das Relações Exteriores, como com o russo Sergey Lavrov, para evitar a criação de canais paralelos.

O ministro confirmou que está em discussão um plano de paz estruturado em 20 pontos, que pode ser assinado inicialmente por Ucrânia e Estados Unidos e, posteriormente, pela Rússia, caso haja consenso.

Kremlin age com cautela

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nessa segunda-feira (26/1) que não houve qualquer clima de cordialidade nas negociações realizadas nos Emirados Árabes Unidos. Questionado sobre a percepção de proximidade entre as delegações, ele descartou a leitura.

“Eu não diria que houve algum tipo de cordialidade; isso dificilmente é possível no estágio atual”, afirmou.

Com informações de Metrópoles.

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