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A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou uma investigação para apurar a atuação do hacker Patrick Brito, que negocia um acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF) para relatar a suposta participação de policiais civis em um esquema de espionagem e invasão de dispositivos eletrônicos.

O procedimento foi aberto em abril deste ano pela Divisão de Crimes Funcionais e tramita sob segredo de Justiça. Em junho, Patrick Brito também passou a integrar a lista de difusão vermelha da Interpol, enquanto permanece na Sérvia, onde tenta evitar sua extradição para o Brasil.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), a investigação conduzida pela Corregedoria apura a suposta prática do crime de coação no curso do processo.

No entanto, a decisão que determinou a abertura do procedimento, à qual a reportagem teve acesso, não especifica qual processo teria sido alvo da suposta coação. O documento faz referência apenas a mensagens atribuídas ao hacker, consideradas ameaçadoras e enviadas a integrantes da cúpula da segurança pública paulista.

Em uma das mensagens, Patrick Brito teria escrito:

“O Artur Dian colocou o Cotait de volta no cargo. Perfeitamente, eu tenho uma carta na manga contra o Tarcísio. Vou soltar e vai custar seu cargo.”

A declaração faz referência ao retorno do delegado Carlos Henrique Cotait ao comando da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Araçatuba, após período afastado por causa de uma apuração preliminar baseada nas acusações apresentadas pelo próprio hacker.

Acusações contra policiais

Mensagens supostamente enviadas por Patrick Brito

Mensagens supostamente enviadas por Patrick Brito

Mensagens supostamente enviadas por Patrick Brito

Patrick Brito afirma ter sido recrutado por integrantes da equipe do delegado Carlos Henrique Cotait para invadir dispositivos eletrônicos de investigados e obter provas de forma ilegal.

Segundo seu relato, a cooptação ocorreu após sua prisão, em 2021, por invadir o celular do então prefeito de Araçatuba, Dilador Borges.

O hacker afirma que, em troca de benefícios no processo criminal, passou a colaborar com policiais civis, realizando invasões cibernéticas e fornecendo informações para investigações.

Ainda de acordo com Brito, os serviços eram remunerados por meio da entrega de dinheiro em espécie à sua família.

Como parte das alegações, ele apresentou comprovantes bancários, mensagens e conversas que, segundo afirma, demonstrariam a relação com integrantes da equipe policial.

Suposta espionagem de investigados

Entre as acusações apresentadas pelo hacker está a de que teria recebido orientações para invadir dispositivos eletrônicos de diversos investigados, incluindo pessoas ligadas ao ex-governador de São Paulo Márcio França.

Segundo as mensagens atribuídas à então investigadora Cindy Orsi Nozu, atualmente delegada da Polícia Federal, as informações obtidas seriam utilizadas para subsidiar pedidos de medidas cautelares em investigações.

As acusações são objeto de diferentes investigações conduzidas por órgãos de controle e autoridades competentes.

Enquanto isso, a Corregedoria da Polícia Civil prossegue com o procedimento instaurado para apurar a conduta de Patrick Brito, incluindo a identificação de sua linha telefônica e outras diligências autorizadas sob segredo de Justiça.

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