de olho na partida

As chamadas bets já se tornaram uma presença marcante na vida dos brasileiros apaixonados por esportes. Elas aparecem em propagandas durante os jogos, nas redes sociais e nas camisetas dos times favoritos, consolidando parcerias de patrocínio que unem esporte e apostas como nunca antes. Essa proximidade levanta uma questão intrigante: será que essas plataformas vão se aprofundar ainda mais no terreno da mídia, oferecendo mais transmissões ao vivo agora que operam dentro da lei?

Hoje, com o mercado legalizado, a competição entre as casas de apostas está aumentando. Da mesma forma que uma casa de apostas que aceita Mercado Pago, Nubank e Pix atrai usuários pela facilidade de pagamento, ela pode usar as transmissões ao vivo como um argumento poderoso na disputa por clientes. No entanto, o complexo cenário de direitos de transmissão no Brasil, dominado por gigantes como Globo e Amazon, impõe limites que moldam o que essas plataformas conseguem oferecer. A grande dúvida é: até que ponto os bookmakers conseguem atender à expectativa dos torcedores que desejam assistir aos jogos diretamente em seus sites?

Quem detém os direitos de transmissão do futebol brasileiro?

O futebol é a alma esportiva do Brasil, e campeonatos como o Brasileirão Série A, a Copa do Brasil, a Libertadores e os estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro mobilizam milhões de fãs. Contudo, quem espera ver esses eventos nos sites de bookmakers legais ficará desapontado. Os direitos de transmissão são controlados por grandes conglomerados de mídia e clubes, especialmente após a Lei do Mandante (MP 984/2020).

No Brasileirão Série A, a Libra (Flamengo, Palmeiras, São Paulo) tem acordo com a Globo, que investe R$1,17 bilhão anuais para TV aberta, fechada (SporTV) e streaming (Premiere). A Liga Forte União (LFU, com Corinthians e Vasco) fechou com Record, CazéTV e Amazon Prime Video. A Copa do Brasil é exclusiva da Globo até 2026, com sublicenciamento para a Amazon, enquanto a Libertadores é dividida entre Globo, ESPN, Paramount+ e SBT. O Paulista tem Record, TNT Sports, Max e CazéTV, e o Carioca conta com Band, Globo e BandSports. Esses contratos bilionários favorecem emissoras e plataformas de streaming, excluindo as casas de apostas.

A exclusividade desses contratos, liderada pela Globo, que historicamente domina o mercado, é um obstáculo central. Novos players, como Amazon e CazéTV, têm ganhado espaço, mas as negociações são caras e complexas. Embora as casas de apostas tenham recursos financeiros para entrar nessa disputa, elas não podem adquirir contratos exclusivos devido a restrições legais. A Lei 14.790/2023 reforça essa limitação, proibindo bookmakers de obter direitos exclusivos no Brasil. O Art. 18 estabelece: ‘É vedado ao agente operador, bem como às suas controladas e controladoras, adquirir, licenciar ou financiar a aquisição de direitos de eventos desportivos realizados no País para emissão, difusão, transmissão, retransmissão, reprodução, distribuição, disponibilidade ou qualquer forma de exibição de seus sons e imagens, por qualquer meio ou processo.’

Transmissões disponíveis nas principais plataformas de apostas brasileiras

Apesar das limitações, os bookmakers legais oferecem muitas transmissões ao vivo, incluindo algumas muito procuradas pelo público brasileiro. Empresas especializadas em avaliar casas de apostas, como a Legalbet, analisam constantemente a disponibilidade de streaming nas diferentes plataformas. De acordo com essas avaliações, a oferta de transmissões ao vivo das casas de apostas atualmente é a seguinte:

Na América do Sul, você encontra transmissões da qualificatória da Libertadores, da Liga Profesional da Argentina, da Liga de Primera do Chile, da Primera A colombiana, do Apertura do Uruguai e de outras ligas menos prestigiadas. Já na Europa, o Championship inglês, a Primeira Liga portuguesa e a La Liga italiana oferecem bastante disponibilidade de transmissões, mas a Premier League, a Serie A, a Bundesliga e a Ligue 1, por enquanto, não contam com streaming.

Em tênis, você encontra transmissões de torneios ATP, Challenger e ITF, com uma boa quantidade de vídeos disponíveis. No entanto, a oferta varia bastante dependendo do país onde o torneio acontece, já que cada nação tem suas próprias legislações sobre transmissões, e alguns enfrentam questões semelhantes às do Brasil, criando desafios para as casas de apostas.

No basquete, se pode assistir ao que mais atrai os fãs — os jogos da NBA, incluindo todos os confrontos principais. Isso é possível porque a plataforma NBA League Pass vende acesso aos jogos ao vivo pela internet, facilitando as transmissões para as casas de apostas. Nos Estados Unidos, o NBA League Pass pode bloquear alguns jogos dependendo da região, se um canal local já tiver os direitos de transmissão. Fora dos EUA, porém, incluindo o Brasil, a plataforma oferece acesso total a todas as partidas, sem restrições. Além das transmissões da NBA, os sites das casas de apostas também trazem jogos de outras ligas, como as da França, Turquia, Rússia, entre outras.

No vôlei, no momento do teste, não havia nenhum jogo da Superliga Brasileira disponível, mesmo assim, as ligas de topo da Rússia, Turquia e Champions League Europeia estão disponíveis para os fãs deste esporte.

Você encontrará essas e algumas outras transmissões nas maiores casas de apostas, enquanto outros sites com transmissões terão um pouco menos de opções.

Os gigantes da mídia fazem suas apostas

Enquanto as bets não podem transmitir o mais procurado pelos brasileiros — o futebol nacional —, canais de TV entraram no mercado de apostas, adquirindo licenças no setor regulado. As três grandes emissoras – Band, Globo e SBT – já lançaram casas de apostas em parceria com empresas do setor.

Esses canais estão interessados em integrar apostas a seus produtos, especialmente via smart TVs e aplicativos móveis. Com o público que possuem, em teoria, podem ganhar um espaço muito considerável no mercado de apostas, desafiando os grandes jogadores.

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