Manifesto minha tristeza e lamentações pelo falecimento do sr André Júnior de Oliveira Vasconcelos, que morreu ontem a noite no Pronto Socorro 28 de agosto com 90% de seu corpo queimado. André tocou fogo em seu próprio corpo em protesto pela destruição de sua casa na comunidade Cidade das Luzes, desocupada pela polícia, por ordem da Justiça a pedido do prefeito de Manaus e por um empresário.

André tinha 32 anos e deixa esposa e 7 filhos. Era pedreiro e estava estudando para ser engenheiro. Se imolou em defesa de sua família e pelo direito humano à moradia.

Ele, como a maioria das familias que estavam na Cidade das Luzes, não eram os bandidos que o prefeito e a polícia diziam que estavam nesta ocupação. Aliás, diziam que só tinham 400 famílias, mas a Cáritas da Arquidiocese cadastrou 1900 famílias no local, a maioria claramente pobre e em busca de um lugar para morar.

É lamentável que o prefeito e o governador, através da assistência social, não fizeram levantamento das famílias e verificaram quem realmente precisava de casa, conforme apelo de Dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus, que visitou a comunidade dois dias antes da destruição pela polícia.

Muitas familias não tiveram tempo para retirar seus pertences e perderam móveis, eletrodomésticos, utensílios, além da casa.

Há relatos de muitas pessoas feridas, atingidas pelas balas de borracha e gás, e acidentes na tentativa de retirar seus bens. Tambem sobre a morte não esclarecida de um morador dias anteriores.

Não apoiamos ocupações. Mas queremos uma política habitacional, uma alternativa para quem não tem terreno ou casa. Hoje, em Manaus, não tem loteamento ou residencial popular, para famílias de baixa renda, para indígenas, para os desabrigados do interior.

É necessário que haja esclarecimento quanto à área desocupada, pois o prefeito e o juiz falaram em área de proteção ambiental, mas tinha um empresário dando suporte logístico na destruicao e se dizendo dono do lugar. O prefeito usou a estrutura pública para beneficiar um particular?

A responsabilizacao pela morte do André precisa ser apurada, assim como os demais feridos.

Vamos nos somar com as forças da sociedade civil que querem apuracões e cobram política habitacional e com o vereador Waldemir José, que propõe uma CPI das grilagens de terras em Manaus.

Estaremos dialogando com a Defensoria Pública e o Ministério Público para cobrar do Poder Executivo e Judiciário amparo para as famílias que perderam tudo e não têm onde morar.

Minha solidariedade à familia do André e aos demais moradores da Cidade das Luzes. Também solidariedade ao oficial da Polícia Militar Laercio Jandir, que tentou salvar a vida do André, e também se queimou e está internado no hospital.

Moradia é um direito humano garantido pela Constituição.

José Ricardo Wendling

Deputado Estadual, PT/Am,

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALE.

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