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O hábito de beber chá é parte da rotina de muitos brasileiros, seja para relaxar, auxiliar na digestão ou buscar propriedades antioxidantes e calmantes. No entanto, para que o chá realmente cumpra sua função, é crucial atentar-se a detalhes que vão desde o preparo até o momento do consumo. Segundo nutricionistas especialistas em fitoterapia, erros nessas etapas podem reduzir ou até anular os benefícios da bebida.

A nutricionista Carla Borges destaca que a eficácia do chá depende da correta extração dos compostos bioativos da planta. “Polifenóis, flavonoides e óleos essenciais são sensíveis à temperatura, ao tempo de infusão e à quantidade usada. Se errar nesses pontos, o efeito pode ser fraco ou até causar desconforto”, explica.
O Impacto do Preparo no Chá:

O modo de preparo é um fator determinante:

  • Temperatura da Água: Água fervente (100°C) pode destruir compostos delicados em chás de folhas (verde, branco, ervas aromáticas). O ideal é usar 70°C a 80°C para chás verdes e brancos, e 90°C a 100°C para ervas mais resistentes, raízes e cascas.
  • Tempo de Infusão: Infusão curta não extrai os compostos; tempo excessivo pode amargar o chá e aumentar taninos que irritam o estômago. A média recomendada é de 3 a 5 minutos, com algumas raízes necessitando de mais tempo.
  • Quantidade da Planta: A proporção mais comum é 1 colher de chá (2 a 3 gramas) para 200 ml de água. Pouca erva resulta em efeito fraco, e excesso pode causar desconforto gastrointestinal.

A Importância do Horário de Consumo:

O momento de beber chá pode influenciar metabolismo, digestão e sono:

  • Manhã: Chás estimulantes (verde, preto, mate) podem aumentar o foco e a disposição, mas evite em jejum se for sensível para prevenir náuseas.
  • Após Refeições: Chás digestivos (hortelã, erva-doce, gengibre) auxiliam a digestão e reduzem gases. Cuidado com chás ricos em taninos, que podem atrapalhar a absorção de ferro se consumidos junto às refeições.
  • Noite: Chás calmantes (camomila, erva-cidreira, melissa) são ideais para o relaxamento e o sono. Evite chás com cafeína.

Chá Pode Substituir Água? Qual a Quantidade Ideal?

A substituição é apenas parcial. Chás sem cafeína contribuem para a hidratação, mas não substituem a água por completo. Chás com cafeína, embora não causem desidratação grave, também não devem ser a principal fonte de líquidos.

Para a maioria das pessoas, o consumo seguro varia entre duas a quatro xícaras por dia. Em excesso, o chá pode causar irritação gástrica, aumento da frequência urinária, desconforto intestinal e, em alguns casos, redução da absorção de minerais (como ferro).

Combinar Chá com Alimentos: Ajuda ou Atrapalha?

  • Açúcar: Deve ser evitado, pois reduz o benefício metabólico e pode anular parte do efeito antioxidante.
  • Mel: Uma opção melhor que o açúcar, mas deve ser usado com moderação.
  • Limão: Pode aumentar a absorção de antioxidantes e melhorar a biodisponibilidade de alguns compostos.
  • Adoçantes: Não interferem diretamente nos ativos do chá, mas o uso frequente pode afetar o paladar e a microbiota intestinal.

Quem Deve Ter Cautela:

Alguns grupos exigem atenção especial ao consumir chá:

  • Gestantes e lactantes: Devem evitar o consumo sem orientação médica, pois algumas plantas podem ter efeito abortivo ou interferir em hormônios ou no leite materno.
  • Pessoas com pressão alta, diabetes ou em uso de medicamentos contínuos: Devem observar possíveis interações, pois certos chás podem alterar a absorção ou potencializar efeitos de remédios.

Pilares da Eficácia do Chá e Métodos de Preparo:

Para Thaís Barca, nutricionista especialista em fitoterapia, a eficácia depende de três pilares: planta certa, dose adequada e preparo correto. Cada planta possui princípios ativos específicos; a escolha deve ser feita para o objetivo desejado.

Os métodos de preparo variam conforme a parte da planta:

  • Infusão: Para folhas e flores. Ferver a água, desligar o fogo, adicionar a planta e tampar por 7 a 10 minutos.
  • Decocção: Para raízes e cascas. Ferver a planta junto com a água pelo mesmo período.
  • Maceração: Em água fria. Indicada para compostos sensíveis ao calor, após amassar ou rasgar a planta.

Misturar Ervas: Precaução é Fundamental

A combinação de ervas pode ser segura e eficaz, desde que haja conhecimento das interações. Algumas misturas são sinérgicas e potencializam os efeitos. No entanto, misturar muitas plantas, especialmente diuréticas, pode causar queda de pressão, sobrecarga renal ou hepática. A orientação é usar de uma a três plantas bem escolhidas para segurança e facilidade na identificação de efeitos colaterais.

Sinais de Que o Chá Não Está Fazendo Bem:

Sintomas como enjoo, dor abdominal, diarreia, tontura, dor de cabeça, fraqueza, alterações na pressão, palpitações, sonolência excessiva, ou mudanças no humor ou no hábito intestinal indicam que o chá deve ser suspenso e reavaliado por um profissional, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

Guia Prático para um Chá Eficaz:

  1. Escolha a planta certa para seu objetivo.
  2. Use a quantidade adequada (geralmente, 1 colher de chá para 200 ml de água).
  3. Respeite a temperatura da água conforme o tipo de planta.
  4. Atenção ao tempo de preparo: nem pouco, nem demais.
  5. Consuma no horário mais indicado para o efeito esperado.
  6. Evite açúcar; use limão ou pequenas quantidades de mel, se desejar.
  7. Não substitua a água por chá.
  8. Desconfie de “misturas milagrosas” com muitas ervas.
  9. Suspenda o uso se surgirem sintomas adversos.
  10. Gestantes, lactantes e pessoas em uso de medicamentos devem buscar orientação profissional.

Com informações de Metrópoles

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