
O dólar à vista registrou alta de 0,27% frente ao real, cotado a R$ 5,13, nesta quinta-feira (26/2). A elevação representou uma virada em relação à véspera, quando a moeda americana anotou baixa de 0,60%, a R$ 5,12, atingindo o menor valor desde 21 de maio de 2024, quando chegou a R$ 5,10.
Já o Ibovespa passou o dia no vermelho. Às 17 horas o principal índice da Bolsa brasileira (B3) caía 0,17%, aos 190.925,06 pontos. Apesar de solavancos durante a sessão, como a variação foi era pequena, o indicador mostrava estabilidade.
Os investidores globais ficaram de olho nas negociações de um acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã, que ocorreram em Genebra, na Suíça. De acordo com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi, houve “progressos significativos” no encontro, o terceiro da atual rodada de diálogos. Uma nova conversa foi agendada para a próxima semana em Viena, na Áustria.
Nas bolsas de Nova York, o S&P 500 e o Nasdaq, que concentra empresas de tecnologia, também ficaram no vermelho. Às 16h30, eles caiam, respectivamente, 0,56% e 1,26%. O Dow Jones, que reúne um número menor de empresas consolidadas, estava estável, com leve alta de 0,03%.
Peso da Nvidia
Na sessão, os papéis da fabricante de chips Nvidia caíam, mesmo depois de a empresa ter apresentado um balanço robusto na véspera. O lucro dobrou para US$ 42,96 bilhões no quatro trimestre fiscal, na comparação com o mesmo período de 2024, e a receita total somou US$ 68,13 bilhões, com crescimento de 73% na base anual, e acima da expectativa do mercado de US$ 66,13 bilhões.
A Nvidia se tornou um símbolo da nova era da inteligência artificial (IA) generativa, uma vez que seus semicondutores são usados para o treinamento das máquinas que alimentam esses sistemas. Mas o mercado há tempos está desconfiado sobre a solidez e duração do boom formidável que o setor viveu nos últimos anos.
Ibovespa
Na Bolsa brasileira, a queda de ações de pesos-pesados do índice ajudou a puxar o Ibovespa para baixo. Da lista entre as empresas que têm maior peso no indicador, caíram os papéis da Petrobras, Vale e Bradesco.
Próximo ao fim do mês, o mercado vive ainda um momento de realização de lucros, em que a baixa do Ibovespa não é incomum. Nessas situações, os investidores vendem ações depois que elas atingiram determinado patamar de preço. O Ibovespa também é dependente severo de recursos estrangeiros, que representam mais de 60% do volume financeiro da B3. Quando esse fluxo diminui, o índice recua.
“Guerra” da Ptax
Nestes últimos dias de fevereiro, ocorre ainda a “guerra da Ptax”. A Ptax é uma média do preço do dólar em relação ao real, calculada pelo Banco Central (BC). Ela serve de referência para contratos de câmbio.
No fim do mês, empresas e investidores tentam influenciar a cotação da moeda americana para que a média lhes seja favorável. Com isso, esses grupos vendem ou compram grandes quantidades de dólar para puxar o preço para cima ou para baixo, afetando a média final.
Análise
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, depois de cinco sessões consecutivas de queda, nas quais acumulou recuo de cerca de 2,20%, o dólar apresentou leve alta frente ao real, em um movimento principalmente associado a ajuste técnico antes da formação da Ptax de fim de mês.
“A correção também refletiu um ambiente externo mais cauteloso, diante das incertezas envolvendo as negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, que elevaram a aversão ao risco e sustentaram demanda no mercado por proteção”, diz. “Além disso, a piora do humor em Nova York, marcado pela queda dos principais índices de ações dos EUA ao longo do dia, contribuiu para o fortalecimento da moeda americana, interrompendo a sequência de valorização do real.”
Com informações de Metrópoles.







