
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que a líder da oposição venezuelana María Corina Machado “não tem o respeito necessário” para governar a Venezuela. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, onde Trump voltou a dizer que os Estados Unidos administrarão o país até a conclusão de uma transição política.
Segundo Trump, ele manteve contato recente com María Corina, elogiando-a em termos pessoais, mas ponderou que a dirigente enfrentaria dificuldades para liderar o país por não contar com apoio amplo entre os venezuelanos.
O presidente norte-americano reforçou que a presença dos EUA na Venezuela continuará enquanto, segundo ele, não houver condições para uma transição considerada estável.
Nota de María Corina e defesa de novo comando
Mais cedo, María Corina Machado divulgou uma carta pública direcionada aos venezuelanos, na qual afirmou que chegou o momento da “soberania popular” e defendeu a posse imediata de Edmundo González Urrutia como líder do país. No texto, a opositora sustentou que Nicolás Maduro passaria a enfrentar a justiça internacional por crimes cometidos durante seu governo.
“Diante da recusa em aceitar uma solução negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer cumprir a lei”, escreveu María Corina, ao acrescentar que a nova fase deve priorizar a restauração da ordem institucional, a libertação de presos políticos e a reconstrução nacional.
A dirigente também afirmou que González foi eleito presidente legítimo na eleição presidencial de 2024 e que deve ser reconhecido como comandante-em-chefe das Forças Armadas, apesar de Maduro ter tomado posse em janeiro do ano passado em meio a críticas e questionamentos internacionais sobre o processo eleitoral.
Divergências expostas
As declarações simultâneas evidenciam divergências públicas entre a posição adotada por Washington e o discurso da principal liderança oposicionista venezuelana. Enquanto Trump afirma que os EUA manterão a administração do país durante a transição e coloca em dúvida a capacidade política de María Corina, a opositora defende um processo imediato de mudança de poder com base no que considera a vontade popular expressa nas urnas.
O cenário reforça a incerteza sobre os próximos passos da crise venezuelana, com impactos políticos e diplomáticos ainda em aberto e forte atenção da comunidade internacional aos desdobramentos.







