Foto: Joaquin Sarmiento/AFP

A Defensoria Pública da União (DPU) solicitou ao governo federal a adoção de medidas urgentes para garantir a segurança de comunidades indígenas na Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, após relatos sobre a presença de homens armados circulando pela região de fronteira com a Colômbia.

Segundo matéria publicada pelo jornal O Globo, os relatos recebidos pela DPU apontam que os homens teriam sido identificados por moradores como possíveis integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A identificação, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades brasileiras.

De acordo com as denúncias encaminhadas à Defensoria, os homens estariam circulando armados por comunidades localizadas nas regiões do Alto Tiquié e Baixo Uaupés, entre elas São Felipe, Morro do Beija-Flor e Cachoeira Comprida.

Os relatos indicam que os suspeitos teriam invadido roçados utilizados pelas famílias indígenas para produção de alimentos e impedido moradores de chegar às áreas de plantio. A situação teria aumentado o temor entre as comunidades, que dependem das plantações para a própria subsistência.

Uma das denúncias recebidas pela DPU afirma ainda que uma liderança da comunidade Cunurí, no rio Uaupés, teria sido levada pelos homens para servir como guia durante deslocamentos pela floresta.

A Defensoria também recebeu relatos semelhantes de uma área localizada a mais de 100 quilômetros dos primeiros pontos citados. Na Comunidade Indígena Santo Baltazar da Cachoeira Andorinha, também teria sido registrada a presença de estrangeiros armados.

No local, segundo as informações recebidas pelo órgão, uma estrada e uma pista de pouso clandestina teriam sido abertas dentro da Terra Indígena. Para a DPU, caso as informações sejam confirmadas, a existência dessas estruturas pode indicar uma atuação organizada e permanente na região.

A Terra Indígena Alto Rio Negro abriga 23 povos indígenas, segundo a Defensoria. As áreas onde os homens teriam sido vistos ficam próximas a localidades associadas a registros de indígenas isolados, aumentando a preocupação com a segurança das comunidades.

Diante da gravidade das denúncias, a DPU pediu ao governo federal o reforço da proteção territorial e da segurança na região, incluindo o patrulhamento dos rios Tiquié e Uaupés, a instalação de pontos de fiscalização e a interdição de possíveis vias de acesso terrestre e da pista clandestina.

O órgão também solicitou a abertura de investigações para apurar a entrada de estrangeiros na Terra Indígena e as ameaças relatadas pelos moradores.

MPF também investiga presença de grupos armados

O caso também chegou ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF), que instaurou um inquérito civil para investigar a possível presença de grupos armados estrangeiros na região.

As denúncias ocorrem em meio a preocupações sobre a atuação de grupos criminosos nas áreas de fronteira da Amazônia. As FARC foram oficialmente desmobilizadas após o acordo de paz firmado com o governo da Colômbia em 2016, mas dissidências permaneceram em atividade no país vizinho.

Segundo informações divulgadas anteriormente pelo O Globo, grupos dissidentes das antigas FARC teriam se aproximado de facções criminosas brasileiras para utilizar rios da região como rotas para o transporte de drogas.

Entre os grupos apontados nesse contexto estão o Comando Vermelho (CV) e a Frente Carolina Ramírez, ligada ao Estado Maior Central, uma das dissidências que permanecem em atividade na Colômbia.

A região também passou a ser apontada como rota para o transporte de maconha do tipo skunk ou creepy, considerada mais potente. A droga seria trazida da Colômbia e entraria no território brasileiro principalmente pelos rios Japurá e Puruê, antes de seguir para Manaus e outras partes do país.

Apesar das denúncias, a presença de integrantes das FARC nas comunidades ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades brasileiras. As informações estão sendo apuradas pela DPU e pelo Ministério Público Federal.

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