
O vereador Allan Campelo (Podemos) lançou um desafio público para um confronto físico com o ex-candidato a deputado estadual Kidson Maia (PL), durante discurso na tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM), na segunda-feira (26). Sem mencionar diretamente o nome do adversário, o parlamentar fez duras críticas ao comportamento de Kidson e afirmou que estaria disposto a enfrentá-lo, desde que ele deixasse a arma em casa.
“Faz para mim! Marca o horário e o local, mas deixa a arma em casa. Marca o horário e o local, porque com 5 minutos se eu, com 55 anos, não fizer você chamar a mamãe, eu dou como perdido”, disparou Allan.
A declaração foi uma reação ao episódio ocorrido em 13 de outubro, durante um debate eleitoral entre Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL), quando Kidson Maia teria feito um gesto simulando uma degola em direção à deputada estadual Alessandra Campelo, irmã do vereador.
O caso provocou repercussão política, levou à concessão de medidas protetivas pela Justiça Eleitoral e motivou um pedido do Ministério Público Eleitoral para que a Polícia Federal aprofundasse a apuração dos fatos.
“Homem covarde”: vereador sobe o tom contra Kidson Maia
Durante o pronunciamento, Allan Campelo chamou o adversário de “TikToker que quer ser político” e fez referência à derrota de Kidson Maia nas eleições de 4 de outubro.
O vereador também criticou pessoas que, segundo ele, utilizam as redes sociais para atacar adversários políticos, principalmente mulheres.
“Volto a falar: é muito fácil estar editando videozinho de TikTok, estar ofendendo as pessoas, principalmente as mulheres. Coisa de homem covarde!”, afirmou.
Na sequência, Allan repetiu o desafio para que o ex-candidato marcasse um encontro, deixando claro que se referia a um confronto físico.
“E volto a fazer o desafio: deixa a arma em casa e marca o horário e o local. Ele sabe quem é, que eu não gosto nem de falar o nome, que se com 5 minutos eu não fizer você chamar a mamãe, eu tô como perdido”, declarou.
O parlamentar encerrou a provocação com novas ofensas ao adversário.
“Porque homem cagão e covarde eu conheço pelo olhar”, disparou.
Allan sai em defesa da irmã após episódio de intimidação
O vereador também dedicou parte do discurso à defesa de Alessandra Campelo, destacando a trajetória pessoal e política da deputada.
Segundo Allan, a irmã construiu sua carreira com trabalho e dedicação, sem precisar recorrer a ataques ou provocações para conquistar espaço na política.
“E esse cara que fez esse comportamento para minha irmã, uma mulher trabalhadora, que criou os filhos sozinha, que trabalha desde nova e nunca precisou de sensacionalismo para chegar onde chegou, é um covarde, frouxo, cagão”, afirmou.
A manifestação ocorreu quase duas semanas depois do episódio registrado nos bastidores do debate eleitoral realizado pela TV Norte Amazonas.
Na ocasião, imagens mostraram Kidson Maia fazendo um movimento com a mão na região do pescoço, interpretado por Alessandra como uma ameaça de morte.
A deputada afirmou que se sentiu intimidada e anunciou que procuraria as autoridades para solicitar providências.
O então vereador Sargento Salazar (PL), que estava próximo de Kidson, apresentou uma interpretação diferente do episódio. Segundo ele, o gesto poderia ter outros significados, inclusive uma referência à possível derrota eleitoral da chapa de Omar Aziz.
Justiça determinou medidas protetivas contra Kidson Maia e Salazar
A denúncia apresentada por Alessandra Campelo teve desdobramentos na Justiça Eleitoral.
Em decisão divulgada em 15 de outubro, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência em favor da deputada, estabelecendo restrições contra Kidson Maia e Sargento Salazar.
Entre as determinações estavam a proibição de contato com Alessandra, a obrigação de manter distância mínima de 200 metros e medidas relacionadas à suspensão da posse e à restrição do porte de armas.
A Justiça também determinou a preservação das gravações do debate e das imagens de segurança da emissora, consideradas relevantes para esclarecer as circunstâncias do episódio.
As medidas têm caráter preventivo e não representam uma condenação dos envolvidos.
Ministério Público pediu investigação da Polícia Federal
O caso também chegou ao Ministério Público Eleitoral (MPE), que solicitou o encaminhamento da denúncia à Polícia Federal.
O pedido, apresentado em 15 de outubro, teve como objetivo aprofundar a apuração sobre os gestos atribuídos a Kidson Maia e a participação de Sargento Salazar no episódio.
Na manifestação, o Ministério Público destacou a necessidade de reunir mais elementos para esclarecer os fatos e verificar a existência de eventual responsabilidade criminal.
O procedimento envolve suspeitas que deverão ser analisadas pelas autoridades competentes, sem que haja conclusão definitiva sobre a prática de crimes.
Desafio de Allan reacende tensão política após eleições
O pronunciamento de Allan Campelo ocorreu um dia depois do segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), e voltou a colocar o episódio envolvendo sua irmã no centro do debate político amazonense.
Kidson Maia disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) pelo PL, recebeu 38.549 votos e não conquistou uma cadeira como titular, ficando na condição de suplente.
Embora tenha apresentado o desafio como uma reação à suposta intimidação sofrida pela irmã, Allan Campelo adotou um discurso de confronto pessoal, com provocações e a proposta explícita de uma briga.
O episódio acrescenta um novo capítulo à disputa política que marcou a reta final das eleições no Amazonas, agora com declarações que ultrapassam o campo das divergências partidárias e envolvem ameaças de confronto físico.
Até o momento das informações consultadas, não foi localizada uma manifestação de Kidson Maia em resposta ao desafio feito por Allan Campelo na Câmara Municipal de Manaus.







