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A deputada federal Erika Hilton (PSol) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL) por uso de uma aeronave ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro durante a campanha presidencial de 2022. A parlamentar pede a apuração de voos realizados em ao menos nove estados e no Distrito Federal em apoio à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

No pedido enviado ao TSE, a parlamentar sustenta que o uso da aeronave permitiu uma “intensa circulação” em curto espaço de tempo, com agendas sucessivas em diferentes regiões do país, o que teria ampliado a presença política de Nikolas nas últimas semanas da campanha. Ela afirma não haver registro da cessão do avião como doação nem como despesa declarada.

“Não há registro transparente da cessão da aeronave como doação estimável em dinheiro ou como despesa eleitoral”, escreveu Erika Hilton.

A deputada aponta que a operação de um jato desse porte envolve custos elevados, como combustível, tripulação, taxas aeroportuárias e manutenção. Segundo ela, esse tipo de estrutura, quando utilizada em período eleitoral, pode representar benefício relevante para a campanha apoiada.

“Trata-se de vantagem logística de alto valor econômico, que permitiu deslocamentos estratégicos em curto intervalo de tempo”, argumentou Erika Hilton.

No pedido, Erika Hilton solicita que o TSE determine a abertura de procedimento para apurar os fatos, requisitar registros de voo, analisar as prestações de contas e, se for o caso, adotar as medidas cabíveis previstas na legislação eleitoral.

“A revelação de fatos novos e graves demanda a imediata intervenção do Ministério Público Eleitoral.”

Uso da aeronave de Vorcaro

Nikolas participou, entre 20 e 28 de outubro de 2022, de uma série de eventos organizados no âmbito da mobilização chamada “Juventude pelo Brasil”, ao lado do pastor Guilherme Batista, com foco em eleitores evangélicos e jovens. Os deslocamentos foram feitos em jato executivo do modelo Phenom 300, associado a empresa da qual Vorcaro era sócio no período.

Após a divulgação da reportagem do jornal O Globo que revelou os voos, Nikolas se manifestou publicamente e confirmou que utilizou a aeronave. Em entrevistas, disse que não tinha conhecimento sobre a propriedade do avião nem sobre eventual vínculo com o empresário.

“Nem sabia quem era o cara. Na época, não tinha suspeita pra ir atrás. Eu entro em um monte de avião que eu não sei qual o dono”, afirmou o parlamentar.

Com informações de Metrópoles.

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