Foto: Leo Franco / AgNews

A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu desfile no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, liderou o volume de menções nas redes sociais em comparação com as demais agremiações. Apesar da liderança, a escola niteroiense registrou o maior percentual de menções negativas, alcançando 36% do total, segundo levantamento da Quaest divulgado neste sábado (21/2).

De acordo com a pesquisa, o Carnaval carioca deste ano acumulou cerca de 2,4 milhões de menções e 264 mil autores únicos entre janeiro e fevereiro, com pico superior a 500 mil citações em um único dia durante os desfiles. Entre as escolas do Rio de Janeiro, a Acadêmicos de Niterói concentrou 361 mil menções (27%) — mais que o dobro da segunda colocada.

Com isso, as cinco escolas que tiveram o maior volume de menções foram:

  • Acadêmicos de Niterói – 361 mil
  • Mocidade – 141 mil
  • Beija-Flor de Nilópolis – 136 mil
  • Unidos do Viradouro – 101 mil
  • Grande Rio – 98 mil

O monitoramento considerou citações nas redes sociais X, Instagram, Facebook, YouTube e em sites de notícias, no período de 27 de janeiro a 18 de fevereiro.

Segundo o levantamento, os comentários que mencionaram o presidente e o episódio foram majoritariamente negativos: 42% ante 33% positivos. A pesquisa também aponta que 72% das menções a políticos nas redes durante o período do carnaval citaram Lula, com predominância de avaliações negativas.

Lula será homenageado por escola de samba

Desfile do Acadêmicos de Niterói no  Carnaval 2026

Comissão de frente da Acadêmicos de Niterói

Ações na Justiça

O desfile com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” deixou um saldo de quase uma dezena de contestações na Justiça e desgaste com os evangélicos, resultando na primeira crise que o governo precisa lidar em ano eleitoral.

Ao menos nove ações foram protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na Justiça Federal contestando o tributo ao presidente desde o início de fevereiro. As principais alegações envolvem uma suposta prática de propaganda eleitoral antecipada e o uso de recursos públicos para financiar o desfile.

Desde o último domingo (15/2), o TSE recebeu pedidos do Partido Liberal e do Partido Missão envolvendo o desfile. A sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou a abertura de uma apuração sobre a homenagem. O Missão, vinculado ao Movimento Brasil Livre (MBL), por sua vez, quer impedir que Lula utilize imagens na Sapucaí durante a campanha de reeleição.

O desgaste não ficou restrito à esfera jurídica, e resvalou também no campo político. O principal motivo foi o trecho do desfile que retratou famílias conservadoras dentro de latas de conserva. A lata estampava uma ilustração de uma família feliz, mas por dentro estava podre.

Mesmo sem fazer referência a um grupo específico, a oposição a Lula relacionou a alegoria com o eleitorado evangélico. Com isso, o desfile repercutiu mal entre figuras religiosas contrárias e até próximas ao governo.

Com informações de Metrópoles.

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