
Interditado na véspera da abertura do Carnaval de Salvador (BA), o Camarote 305 é apontado pelas investigações da Polícia Civil como um dos meios utilizados por um grupo suspeito de lavar dinheiro oriundo da exploração ilegal de rifas na internet. Desde o sábado (14/2), o espaço passou a ser utilizado pela polícia como ponto estratégico de observação da folia no circuito Dodô (Barra/Ondina).
O camarote pertence ao influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305. Nas redes sociais, ele se apresenta como youtuber e criador de conteúdo. Os ingressos vendidos para o espaço variavam entre R$ 927 e R$ 1.108.
O passaporte para todos os dias de festa custava R$ 4,8 mil. Diogo foi preso em flagrante na quarta-feira (11q2), na região de Busca Vida, por posse de arma de fogo e munições de uso restrito e permitido, segundo a Polícia Civil.
Um dos advogados de Diogo também foi alvo de busca e apreensão após tentar acessar remotamente um celular que havia sido apreendido durante a Operação Falsas Promessas 3. Ele foi preso em flagrante por tentativa de obstrução da investigação. As duas prisões foram convertidas em preventivas.
De acordo com as investigações do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), o camarote estava registrado em nome do advogado do suspeito. O empreendimento, assim como outras empresas de fachada identificadas pela polícia, seria utilizado para lavar recursos obtidos com a venda de rifas online. O delegado Fábio Lordello, responsável pelo Draco, informou que as apurações sobre as conexões financeiras das empresas seguem em andamento.
A reportagem não conseguiu contatar as defesas dos investigados.
Apreensões
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na última quarta-feira, realizado por equipes do Draco com apoio da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Serviço Aeropolicial (Saer), em um dos imóveis do investigado, a Polícia Civil apreendeu:
- quase R$ 130 mil em espécie;
- dez veículos, entre eles uma Lamborghini avaliada em R$ 2,5 milhões;
- duas Toyota SW4 blindadas, equipadas com estrobos e sirenes;
- duas bicicletas elétricas;
- uma pistola 9 mm;
- cerca de mil munições de calibres 5.56 e 9 mm;
- cinco carregadores de fuzil;
- uma scooter subaquática;
- cinco caixas de som tipo boombox;
- 15 caixas de uísque 21 anos;
- quatro caixas de iPhones 17;
- cinco caixas de PlayStation lacradas;
- um avião avaliado em mais de R$ 10 milhões, apreendido em um hangar durante a operação.
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão contra outros 13 investigados nas cidades de Feira de Santana, São Bernardo do Campo (SP), São Paulo, Salvador e Camaçari, além de bloquear aproximadamente R$ 125 milhões dos integrantes do grupo criminoso.
Esquema
O avião do influenciador foi o estopim para o início das investigações, conforme revelado em reportagem do Fantástico. A movimentação de valores elevados levou a Polícia Civil a apurar a origem dos recursos.
Em seu perfil nas redes sociais, Diogo costumava divulgar rifas com valores muito baixos e prêmios que poderiam chegar a R$ 200 mil. Segundo a investigação, o baixo custo atrairia um grande número de participantes e dificultaria o rastreamento do dinheiro, o que pode indicar a atuação de organização criminosa.
A polícia também apura possível ligação dos recursos com o tráfico de drogas. As investigações buscam esclarecer ainda se os prêmios anunciados eram efetivamente entregues aos vencedores ou se havia outras irregularidades no esquema. As informações são de Correio24 horas.







