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A gordura no fígado, clinicamente conhecida como esteatose hepática, é uma doença silenciosa que representa a maior ameaça ao fígado nos últimos anos, especialmente na forma de Metabolic-associated fatty liver disease (MASLD). Muitas pessoas podem viver por anos sem apresentar sintomas, enquanto o órgão sofre danos progressivos. É normal ter uma pequena quantidade de gordura no fígado, mas o problema surge quando o acúmulo excede 5% de seu volume, inflamando e prejudicando suas funções.

A endocrinologista Marília Bortolotto, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), alerta que o caráter assintomático da doença não a torna inofensiva. “A gordura no fígado pode evoluir sem causar sintomas por muito tempo. Quando a inflamação aparece, o órgão já pode estar comprometido”. O endocrinologista Paulo Bittencourt, presidente do Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig), complementa: “O problema começa de forma discreta, mas pode evoluir para inflamações crônicas e fibrose, aumentando o risco de cirrose e câncer de fígado”. A redução da acumulação de gordura no fígado é crucial para prevenir a progressão para fibrose, cirrose e câncer hepático.
Sintomas em Diferentes Estágios

Nos quadros leves, a esteatose hepática não costuma apresentar sintomas específicos. Eles tendem a surgir quando a doença atinge o estágio intermediário, podendo incluir:

  • Dor no abdômen
  • Cansaço
  • Fraqueza
  • Perda de apetite
  • Aumento do fígado
  • Barriga inchada
  • Dor de cabeça constante

Nos estágios mais avançados, que se caracterizam pela inflamação e fibrose que podem levar à insuficiência hepática, os sintomas se tornam mais graves:

  • Fadiga intensa
  • Confusão mental
  • Acúmulo anormal de líquido dentro do abdômen (ascite)
  • Doenças no encéfalo (encefalopatia hepática)
  • Hemorragias
  • Queda no número de plaquetas sanguíneas
  • Icterícia (pele e olhos amarelados)
  • Fezes sem cor
  • Alterações do sono
  • Mudanças na coagulação
  • Inchaço dos membros inferiores
  • Aumento rápido do volume abdominal

Causas da Gordura no Fígado

Existem duas principais formas de esteatose hepática, com origens distintas:

Esteatose Hepática Alcoólica: Causada pelo consumo excessivo de álcool.
Esteatose Hepática Não Alcoólica (MASLD): Causada por hábitos e estilos de vida inadequados, sendo o excesso de peso o principal fator de risco. Uma dieta mal equilibrada, rica em gorduras, carboidratos e álcool, leva ao acúmulo de gordura no fígado, causando a esteatose hepática.

Outras causas para a esteatose hepática não alcoólica incluem:

  • Obesidade
  • Gravidez
  • Sedentarismo
  • Diabetes
  • Má alimentação
  • Colesterol alto
  • Pressão alta
  • Perda ou ganho muito rápido de peso
  • Uso de certos medicamentos (como corticoides, estrógeno, amiodarona, antirretrovirais, diltiazen e tamoxifeno)
  • Inflamações crônicas no fígado

É importante notar que os sintomas de resistência à insulina, como aumento da circunferência abdominal, dificuldade para perder peso, fadiga, sono após as refeições, desejos frequentes por doces e alterações em exames de colesterol e triglicerídeos, são indicadores de risco para a esteatose hepática não alcoólica.
Tratamento e Prevenção

De acordo com o Ministério da Saúde, não existe um tratamento medicamentoso específico para a esteatose hepática, e a abordagem varia de acordo com cada caso, grau e causa da doença. A boa notícia é que o fígado possui uma notável capacidade de regeneração — até certo ponto — e mudanças no estilo de vida são extremamente eficazes nos estágios iniciais.

Para isso, é fundamental adotar um estilo de vida saudável, que inclua:

Alimentação equilibrada e saudável: Reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras, carboidratos refinados e açúcares.
Prática regular de exercícios físicos: Contribui para a perda de peso e melhora da sensibilidade à insulina.
Moderação no consumo de álcool: Essencial para prevenir e reverter a esteatose alcoólica e reduzir a carga hepática na forma não alcoólica.

“São raros os casos em que há necessidade de medicamentos. Eles podem ajudar, mas precisam ser aliados às mudanças de estilo de vida para tratar na raiz a causa do problema e ter o resultado satisfatório”, informa a pasta. A detecção precoce e a adoção de hábitos saudáveis são as melhores estratégias para evitar a progressão da doença e suas graves consequências.

Com informações de Metrópoles

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