
O estresse é uma reação fisiológica natural e necessária para a sobrevivência, preparando o corpo para reagir rapidamente a ameaças através da liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. No entanto, especialistas alertam para o momento em que esse mecanismo de defesa deixa de ser pontual e se torna um estado permanente, configurando o estresse crônico.
Segundo o psiquiatra Luiz Scocca, do Hospital das Clínicas da USP, o risco reside na perda da capacidade de autorregulação. “O estresse em si não é um problema, mas a ativação contínua do sistema nervoso”, explica o médico. Quando o organismo não “desliga”, ele passa a operar em tensão constante, gerando prejuízos progressivos ao sono, humor e concentração.
Sinais de Alerta: O Corpo e a Mente Pedem Socorro
Diferente do cansaço comum, o estresse crônico apresenta sintomas que se acumulam e, frequentemente, são naturalizados pela rotina. Os sinais podem ser divididos em físicos e emocionais:
- Sintomas Físicos: Dores de cabeça constantes, tensão muscular, fadiga extrema, problemas digestivos, insônia, sudorese, tremores e maior vulnerabilidade a infecções.
- Sintomas Emocionais: Irritabilidade persistente, agressividade, queda de motivação, apatia, retraimento social e dificuldade de concentração.
O Impacto no Cérebro e a “Química” do Medo
A exposição prolongada ao cortisol pode alterar fisicamente circuitos neurais. Estruturas cerebrais vitais como o hipocampo (memória), a amígdala (emoção) e o córtex pré-frontal (tomada de decisão) são particularmente sensíveis a esse excesso hormonal.
Na prática, isso abre portas para transtornos mais graves. “O estresse crônico é um fator de risco importante para ansiedade, depressão e pânico”, afirma Scocca, ressaltando que não se trata de fraqueza emocional, mas de um processo neurobiológico.
Para o psiquiatra e psicoterapeuta Wimer Bottura, também do Hospital das Clínicas da USP, o estresse moderno está intrinsecamente ligado ao medo. Além das preocupações tradicionais, o excesso de informações, a insegurança jurídica e a violência urbana mantêm a população — de crianças a idosos — em estado de alerta perpétuo.
Caminhos para o Tratamento e Prevenção
O rompimento desse ciclo exige uma abordagem multidisciplinar. O acompanhamento profissional (psiquiátrico e psicológico) é indicado quando o estresse evolui para insônia, depressão ou começa a prejudicar a vida social e profissional, podendo culminar em burnout.
Especialistas são unânimes quanto à importância das mudanças de hábito como parte essencial do tratamento:
- Rotina de Sono: Manter horários consistentes para dormir e acordar.
- Alimentação: Priorizar frutas e vegetais, reduzindo estimulantes como cafeína e açúcar.
- Exercícios Físicos: Prática regular para regulação hormonal.
- Desaceleração: Técnicas de meditação e respiração profunda para acalmar o sistema nervoso.
Reconhecer que o estresse deixou de ser uma reação pontual e se tornou um modo de vida é o primeiro passo para evitar o adoecimento físico e mental grave.
Com informações de Metrópoles







